quarta-feira, 21 de março de 2012

50 Inconveniências da Auto-Justificação - Martinho Lutero




Fonte: www.vemver.tv
Produção: www.iprodigo.com

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O Tapetinho vermelho ...

ilustrações, tapetinho vermelho
 Uma pobre mulher morava em uma humilde casa com sua neta, que estava muito doente.
Como não tinha dinheiro para levá-la a um médico e, vendo que, apesar de seus muitos cuidados, a pobre menina piorava a cada dia, com muita dor no coração, resolveu deixá-la sozinha e ir à pé até a cidade mais próxima, em busca de ajuda.
No único hospital público da região, foi-lhe dito que os médicos não poderiam se deslocar até sua casa; ela teria que trazer a menina para ser examinada.
Desesperada, por saber que sua neta não conseguiria sequer levantar-se da cama, ao passar em frente a uma igreja resolveu entrar. Algumas senhoras estavam ajoelhadas fazendo suas orações. Ela também se ajoelhou.
Ouviu as orações daquelas mulheres e quando teve oportunidade, também levantou sua voz e disse:
“Olá, Deus, sou eu, a Maria. Olha, a minha neta está muito doente. Eu gostaria que o Senhor fosse lá curá-la. Por favor! Anote aí, Deus, o endereço.”
As demais senhoras estranharam o jeito daquela oração, mas continuaram ouvindo.
“É muito fácil, é só o Senhor seguir o caminho das pedras e, quando passar o rio com a ponte, o Senhor entra na segunda estradinha de barro. Passa a vendinha. A minha casa é o último barraquinho daquela ruazinha.”
As senhoras que tudo acompanhavam esforçavam-se para não rir.
Ela continuou: “Olha Deus, a porta está trancada, mas a chave fica embaixo do tapetinho vermelho na entrada. Por favor, Senhor, cure a minha netinha. Obrigado.” E quando todas achavam que já tinha acabado, ela complementou: “Ah! Senhor, por favor, não se esqueça de colocar a chave de novo embaixo do tapetinho vermelho, senão eu não consigo entrar em casa. Muito obrigado, obrigado mesmo.”
Depois que a Dona Maria foi embora, as demais senhoras soltaram o riso e ficaram comentando como é triste descobrir que as pessoas não sabem nem orar.
Mas, Dona Maria, ao chegar em casa não pode se conter de tanta alegria, ao ver a menina sentada no chão, brincando com suas bonecas.
“Menina, você já está de pé?!?”
E a menina, olhando carinhosamente para a avó, disse: “Um médico esteve aqui, vovó. Deu-me um beijo na testa e disse que eu ia ficar boa. E eu fiquei boa. Ela era tão bonito, vó! Sua roupa era tão branquinha que parecia até que brilhava. Ah! ele mandou lhe dizer que foi fácil achar a nossa casa e que ele ia deixar a chave debaixo do tapetinho vermelho, do jeitinho que você pediu.”

O Senhor ouve as orações!

Por André Sanchez
FONTE: Esboçando Ideias

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

IX (9Marcas) I - Pregação Expositiva


O ponto para começar a falar sobre as marcas da igreja saudável é onde Deus começa conosco – o modo como Ele fala conosco. Foi por aí que a nossa própria saúde espiritual veio, e é por esse caminho que a saúde de nossas igrejas virá também. Especialmente importante para qualquer um que esteja na liderança de uma igreja, mas particularmente para o pastor, é um compromisso com a pregação expositiva, um dos mais antigos métodos de pregação. Trata-se da pregação cujo objetivo é expor o que é dito em uma passagem particular da Bíblia, explicando cuidadosamente seu significado e aplicando-o à congregação (veja Neemias 8:8). Existem, evidentemente, muitos outros tipos de pregação. Sermões tópicos, por exemplo, coletam tudo o que a Bíblia ensina sobre um único assunto, como a oração ou a contribuição. A pregação biográfica aborda a vida de alguém na Bíblia e retrata-a como uma demonstração da graça de Deus e como um exemplo de esperança e fidelidade. Mas a pregação expositiva é algo diferente – uma explicação e aplicação de uma porção particular da Palavra de Deus.
“(…) os pregadores cristãos de hoje têm autoridade para falar da parte de Deus somente se proclamarem as palavras dEle.”
A pregação expositiva presume uma convicção na autoridade da Bíblia, mas é algo mais. Um compromisso com a pregação expositiva é um compromisso de ouvir a Palavra de Deus. Assim como os profetas do Antigo Testamento e os apóstolos do Novo Testamento não receberam apenas uma ordem para ir e falar, mas uma mensagem específica, os pregadores cristãos de hoje têm autoridade para falar da parte de Deus somente se proclamarem as palavras dEle. Assim, a autoridade do pregador expositivo começa e termina com as Escrituras. Às vezes as pessoas podem confundir pregação expositiva com o estilo de um pregador expositivo predileto, mas não é fundamentalmente uma questão de estilo. Como outros já observaram a pregação expositiva não é tanto sobre como nós dizemos o que dizemos, mas sobre como nós decidimos o que dizer. Não é marcada por uma forma particular, mas por um conteúdo bíblico.
Pode-se aceitar alegremente a autoridade da Palavra de Deus e até mesmo professar a convicção na inerrância da Bíblia; ainda assim se na prática (propositalmente ou não) alguém não prega expositivamente, nunca pregará além do que já sabe. Um pregador pode tomar um trecho das Escrituras e exortar a congregação em um tópico que é importante sem que ele realmente pregue o ponto abordado na passagem. Quando isso acontece, o pregador e a congregação só ouvem nas Escrituras o que eles já sabiam.
“Como outros já observaram a pregação expositiva não é tanto sobre como nós dizemos o que dizemos, mas sobre como nós decidimos o que dizer.”
Em contrapartida, quando pregamos uma passagem das Escrituras no contexto, expositivamente – tomando o ponto da passagem como o ponto da mensagem – nós ouvimos de Deus coisas que nós não pretendíamos ouvir quando começamos. Desde a chamada inicial ao arrependimento até a área de nossas vidas em que o Espírito nos condenou recentemente, a nossa salvação inteira consiste em ouvir a Deus de modos que nós, antes de ouvi-lO, nunca teríamos adivinhado. Esta submissão extremamente prática à Palavra de Deus deve ser evidente no ministério de um pregador. Não se deixe enganar: em última instância, é responsabilidade da congregação assegurar que as coisas sejam assim (observe a responsabilidade que Jesus põe sobre a congregação em Mateus 18, ou Paulo em 2 Timóteo 4). Uma igreja jamais pode colocar como supervisor espiritual do rebanho uma pessoa que não demonstra na prática um compromisso claro em ouvir e ensinar a Palavra de Deus. Agir assim é impedir inevitavelmente o crescimento da igreja, praticamente encorajando-a a só crescer até o nível do pastor. Se assim for, a igreja será conformada lentamente à mente dele, em vez de ser conformada à mente de Deus.
O povo de Deus sempre foi criado pela Palavra de Deus. Da criação em Gênesis 1 até a chamada de Abraão em Gênesis 12, da visão do vale dos ossos secos em Ezequiel 37 até a vinda da Palavra Viva, Deus sempre criou o Seu povo através da Sua Palavra. Como Paulo escreveu aos romanos, “a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (10:17). Ou, como ele escreveu aos coríntios, “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação” (1 Cor. 1:21).
“Uma igreja construída sobre a música – seja qual for o estilo – é uma igreja construída sobre a areia.”
A pregação expositiva sadia freqüentemente é o manancial de crescimento em uma igreja. Na experiência de Martinho Lutero, tal atenção cuidadosa para com a Palavra de Deus foi o princípio da reforma. Nós também precisamos estar comprometidos em sermos igrejas que sempre estão sendo reformadas de acordo com a Palavra de Deus.
Certa vez, quando eu estava ensinando em um seminário sobre puritanismo em uma igreja de Londres, eu mencionei que os sermões puritanos às vezes duravam duas horas. Diante disso, uma pessoa perguntou, “Quanto tempo sobrava para a adoração?” A suposição era de que ouvir a palavra de Deus pregada não constituía adoração. Eu respondi que muitos cristãos protestantes ingleses teriam considerado a possibilidade de ouvir a palavra de Deus no seu próprio idioma e de responder a ela nas suas vidas como a parte essencial da sua adoração. Se eles teriam tempo para cantar juntos seria comparativamente de pouca importância.
Nossas igrejas têm que recuperar a centralidade da Palavra na nossa adoração. Ouvir a Palavra de Deus e responder a ela pode incluir louvor e ações de graças, confissão e proclamação, e qualquer destas coisas pode vir na forma de canções, mas nenhuma delas precisa ter essa forma. Uma igreja construída sobre a música – seja qual for o estilo – é uma igreja construída sobre a areia. Pregar é o componente fundamental do pastorado. Ore por seu pastor, para que ele se dedique a estudar Bíblia rigorosa, cuidadosa e seriamente, e para que Deus o conduza na compreensão da Palavra, na aplicação dela à sua própria vida, e na aplicação dela à igreja (veja Lucas 24:27; Atos 6:4; Ef. 6:19-20). Se você é um pastor, ore por estas coisas para si mesmo. Ore também por outros que pregam e ensinam a Palavra de Deus. Finalmente, ore para que nossas igrejas assumam um compromisso de ouvir a Palavra de Deus pregada expositivamente, de forma que os rumos de cada igreja sejam crescentemente moldados pela agenda de Deus expressa nas Escrituras. O compromisso com a pregação expositiva é uma marca de uma igreja saudável.
Por Mark Dever. Copyright © 2012 9Marks. Website: 9marks.org
Tradução: bomcaminho.com
FONTE:   www.voltemosaoevangelho.com

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A ORAÇÃO DA FÉ - (Vicent Cheung)

 
Entre vocês há alguém que está sofrendo? Que ele ore. Há alguém que se sente feliz? Que ele cante louvores. Entre vocês há alguém que está doente? Que ele mande chamar os presbíteros da igreja, para que estes orem sobre ele e o unjam com óleo, em nome do Senhor. A oração feita com fé curará o doente; o Senhor o levantará. E se houver cometido pecados, ele será perdoado. Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz. (Tiago 5.13-16)
 
Devemos viver toda a vida em relação a Deus e reconhecê-lo em todas as coisas. Se uma pessoa está sofrendo ou em apuros, ela não deveria chafurdar em medo e autopiedade, ou confiar unicamente em recursos humanos para resgatá-la, mas deveria voltar sua mente para Deus, e orar por ajuda e libertação. E não devemos esquecê-lo se estivermos felizes e confortáveis; antes, deveríamos oferecer-lhe ações de graças e cânticos de louvor.
Então, se alguém está doente, ele deve chamar um médico imediatamente. O quê? Não é isso o que Tiago diz? Ó, ele manda chamar os presbíteros da igreja para que eles possam orar. É para orar a fim de que o homem possa suportar a enfermidade “para a glória de Deus”? Ó, ele diz para eles orarem a fim de que o homem receba a cura e para que o Senhor o levante. O seu seminário ensina isso? A sua igreja sequer permite isso?
Se uma pessoa discorda de Tiago, ou se ela amontoa desculpas para que possa ensinar algo diferente – até mesmo o exato oposto – é porque Tiago contém erros e está fora de moda, ou é porque tal pessoa está ensinando rebelião contra o Senhor? E se eu não posso orar por cura quando estou doente, por que ainda posso orar quando estou sofrendo ou em apuros? E quando estou feliz, por que deveria ainda oferecer cânticos de louvor? Tiago não faz nenhuma distinção dispensacionalista no meio de sua passagem.
O fundador de um movimento de aconselhamento bíblico reclama que os cristãos são inconsistentes quando se trata de resolver problemas espirituais ou psicológicos. Eles alegam crer na suficiência de Cristo e da Escritura, e de fato eles pelo menos tentam ser consistente quando se trata da nossa justificação diante de Deus, e dessa forma afirmamos que somos tornados justos por Jesus Cristo através do dom da fé, à parte das nossas obras e méritos. Mas então esses mesmos cristãos buscam ajuda de terapeutas e psicólogos que aconselham com base em teorias e métodos antibíblicos, a fim de resolver problemas como medo, raiva, depressão, vícios, pecados e hábitos destrutivos, e conflitos matrimoniais. Ele insiste corretamente que a Escritura é suficiente para fornecer orientações nessas áreas.
Contudo, quando ele aborda os males físicos, ou mesmo problemas psicológicos que surgem de defeitos físicos, tais como desequilíbrio químico, de repente parece que o poder de Cristo é suficiente apenas quando a questão não toca a esfera física. No momento em que suspeita-se que haja alguma base física para o sintoma psicológico, o assunto é encaminhando a um médico profissional. Ué, Jesus Cristo é bom para a alma, mas inútil para o corpo? Qual seria mais fácil dizer: “Seus pecados estão perdoados” ou  “Levante-se e ande”? Mas o Filho do Homem tem poder para fazer as duas coisas.
Para adicionar hipocrisia à incredulidade, esse teólogo, esse estudioso, esse defensor da suficiência bíblica e do aconselhamento bíblico, escreve a partir de uma tradição teológica que enfatiza o governo de Deus sobre todas as coisas. Espera-se que consideremos o corpo como santo, integrante da pessoa humana assim como a alma; todavia, Deus regenerará a alma e encherá de poder divino, mas deixará o corpo aos doutores não cristãos. Confiamos em Deus para o nosso perdão, e para o nosso bem-estar pessoal, mas confiar nele para a saúde é o cúmulo da imprudência, e ensinar sobre oração para cura física é dar às pessoas falsa esperança. Que doutrina estranha é essa? Tiago não sabe nada sobre isso. Ela não procede da fé, mas da incredulidade, e do diabo.
Há argumentos que apelam à situação daqueles dias. A assistência médica era precária, onerosa e perigosa, e frequentemente associada com paganismo. Mas isso não difere fundamentalmente do cenário contemporâneo. Quantas pessoas recebem assistência médica boa, mesmo nas nações ocidentais desenvolvidas? E mesmo que você pense que os médicos possuem os próprios poderes de Deus, o que dizer sobre os milhões de pessoas que residem em outros países? A verdade é que, mesmo em nossa nação, a assistência médica é geralmente onerosa e perigosa, e os médicos são evolucionistas. A situação não mudou tanto quanto os teólogos querem acreditar. Mas mesmo supondo que a situação tenha melhorado muito, a implicação mais perturbadora permanece; é que esses teólogos desejam convencer você que Deus é sempre o último recurso, mesmo em face de um ensino bíblico explícito para buscá-lo em primeiro lugar. O que explica essa maneira desconcertante de pensar? Incredulidade.
Tudo isso não é um argumento ou proibição contra a medicina. Visto que já fiz uma declaração sobre isso em outro lugar (não existe nenhuma condenação – chame um médico, ou chame cinquenta se quiser, mas não faça de você mesmo algum tipo de herói da fé quando faz isso, e não chame a sua recuperação de um milagre), [1] eu não repetirei tudo aqui; apenas observarei que eu já refutei também a visão que por unção com óleo Tiago tencionava combinar remédio e oração (se alguém insiste em combiná-las com base nessa passagem, então ele pode mandar os presbíteros da igreja realizar as cirurgias, ou então abandonar o fingimento e admitir que ele deseja afirmar uma visão alternativa, mudando apenas o que ele deseja mudar, reivindicando em todo tempo suporte bíblico). Antes, estou insistindo que, a menos que haja um argumento infalível e bíblico para agir de outra forma, não há razão para anular um mandamento explícito na Escritura, e aqui isso significa que os líderes da igreja devem orar com fé para a cura do seu povo. Nenhuma manobra histórico-redentiva pode fazer este texto significar o oposto do que ele diz. Ou você crê nele e obedece, ou não.
Quanto ao método, embora Tiago diga que os presbíteros deveriam ungir o doente com óleo, entende-se que essa não é a única maneira. É sem dúvida uma maneira, e aceitável, e deveria ser seguida quando a atenção de alguém está focada sobre este texto. Mas a Escritura mostra que a cura é efetuada por imposição de mãos, e por oração ou palavra de mandamento sem qualquer contato físico. Há muita liberdade e poder em Jesus Cristo.
A coisa essencial é a fé. É fácil pronunciar uma oração de dúvida e incredulidade quando a pessoa crê em nada, nada espera, nada pede e nada recebe. Mas não vamos nos contentar com aquilo que é natural para o velho homem, cheio de pecado. Não sejamos meros ouvintes da palavra, e assim nos enganarmos, mas sejamos praticantes da palavra também. Vivamos verdadeiramente tudo da vida em relação a Deus e o reconheçamos em todas as coisas, mesmo quando se trata da saúde dos nossos corpos. E quer chamemos ou não médicos, quando falharmos em orar com fé ou quando nossa oração não trouxer cura, admitamos nossa falha e imploremos por graça, em vez de continuar num estado de ilusão. Sem dúvida reconhecemos a soberania de Deus, mas a Bíblia nunca usa isso para escusar a incredulidade. A pior coisa que podemos fazer é justificar a nós mesmos condenando Tiago à irrelevância.
 
Fonte: Sermonettes, Volume 4, p. 32-34
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto – novembro/2011


Fonte:  http://monergismo.com

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Uma Benção de Ano Novo (C. H. Spurgeon)

Nº 292
Sermão pregado na manhã de Domingo, 1º de Janeiro de 1860,
por Charles Haddon Spurgeon.
Em Exeter Hall, Strand, Londres.
“Mas o Deus de toda a graça, que nos chamou à sua glória eterna em Jesus Cristo, depois que tenhais padecido um pouco de tempo, ele mesmo os aperfeiçoe, confirme, fortaleça e estabeleça.” 
1 Pedro 5:10.
O apóstolo Pedro passa da exortação para a oração. Ele sabia que a oração marca o fim da pregação no ouvinte, mas que a pregação do ministro deve ir sempre acompanhada de oração. Havendo exortado os crentes a caminhar com firmeza, dobra os seus joelhos e os encomenda a vigilância zelosa do céu, implorando sobre eles uma das maiores bênçãos que o coração mais afetuoso alguma vez haja suplicado.
O ministro de Cristo deve exercer dois ofícios ao povo que está ao seu cargo. Deve lhes falar por Deus e falar a Deus por eles. O pastor não terá cumprido todavia com toda a sua sagrada comissão quando houver declarado todo o conselho de Deus. Somente haverá cumprido uma metade. A outra parte deverá desempenhar em segredo, quando carregar em seu peito, como o sacerdote nos tempos antigos fazia, as necessidades, os pecados, as provações e as súplicas de seu povo diante de Deus. O dever diário do pastor cristão consiste por um lado em orar por seu povo, e por outro em exortar, instruir e consolar a esse povo.
Há, contudo, situações especiais quando o ministro de Cristo se vê constrangido a pronunciar uma bênção incomum sobre seu povo. Quando um ano de tribulação passa e outro ano de misericórdia começa, podemos expressar nossos sinceros agradecimentos por Deus ter nos preservado, e nossas fervorosas súplicas por milhares de bênçãos sobre as cabeças daqueles a quem Deus encomendou debaixo do nosso cuidado pastoral.
Esta manhã tomei este texto como uma bênção de ano novo. Vocês sabem que um ministro da Igreja da Inglaterra sempre me proporciona o tema para o novo ano. Ele ora muito antes de seleccionar o texto, e eu sei que hoje, está oferecendo esta precisa oração por todos vocês. Ele constantemente me favorece com um tema, e sempre considero meu dever pregar sobre ele, e desejar que meu povo o recorde ao longo de todo o ano para que sirva de apoio no tempo de sua tribulação, como um delicioso manjar, como uma bolacha com mel, como o pedaço do alimento de um anjo, que possa pôr sobre a sua língua e levá-lo até que finalize o ano, para logo recomeçar com outro doce texto. Que bênção maior poderia ter escolhido meu amigo ancião, de pé hoje em seu púlpito, levantando mãos santas para pregar ao povo em uma pacífica igreja camponesa? Que bênção maior poderia implorar ele para os milhares de Israel, que esta bênção que em seu nome pronuncio sobre vocês neste dia: “Mas o Deus de toda a graça, que nos chamou à sua glória eterna em Jesus Cristo, depois que tenhais padecido um pouco de tempo, ele mesmo os aperfeiçoe, confirme, fortaleça e estabeleça.”
Ao pregar sobre este texto, terei que explicar: primeiro o que o apóstolo pede ao céu; e logo, em segundo lugar por quê espera recebê-lo. A razão de sua esperança, de receber o que pede, está contida no título que utiliza para dirigir-se ao Senhor seu Deus: “MAS O DEUS DE TODA A GRAÇA, que nos chamou à sua glória eterna em Jesus Cristo”.
I. Então, em primeiro lugar, O QUE O APÓSTOLO PEDE PARA TODOS AQUELES A QUEM ESCREVEU ESTA EPÍSTOLA. Ele pede para eles quatro jóias resplandecentes colocadas sobre um negro pano de realce. As quatro jóias são estas: Perfeição, Confirmação, Fortalecimento e Estabelecimento. O negro pano de realce sobre o qual estão colocadas é este: “Depois que tenhais padecido um pouco de tempo.” As lisonjas do mundo valem pouco, pois como observa Chesterfield: Não custam nada exceto tinta e papel.” Devo confessar que creio que inclusive este pequeno gasto é um grande desperdício. As lisonjas mundanas geralmente omitem toda a ideia de aflição. “Um feliz Natal! Um próspero Ano Novo!” Não há nenhuma suposição de algo que se pareça ao padecimento. Mas as bênçãos cristãs apontam a verdade dos assuntos. Sabemos que os homens devem padecer. Cremos que os homens nascem para serem acumulados de dores da mesma maneira que a faísca nasce para voar ao alto; e por isso em nossa bênção incluímos o padecimento. E mais, vamos mais além, cremos que nossa tristeza nos ajudará a alcançar a bênção que invocamos sobre nossas cabeças. Nós, no vocabulário de Pedro, dizemos: “Depois que tenhais padecido um pouco de tempo, ele mesmo os aperfeiçoe, confirme, fortaleça e estabeleça”. Entendam então que, conforme eu mostre cada uma destas quatro jóias, devem observá-las e considerar que são desejadas para vocês, “depois que tenhais padecido um pouco de tempo”.
1. Agora a primeira jóia resplandecente neste diadema é a Perfeição. O apóstolo ora para que Deus nos aperfeiçoe. Certamente, ainda que esta seja uma oração para um longo período de tempo, e a jóia seja um diamante de belas águas e de tamanho excepcional, é absolutamente necessário que um cristão em última instância chegue à perfeição. Acaso nunca tiveram um sonho em suas camas, quando seus pensamentos vagueiam livremente e a boca de sua imaginação corre sem freio, e sua alma abre suas asas e flutua por todo o infinito, agrupando coisas estranhas e maravilhosas, de tal maneira que o sonho se desenvolvia em algo como um esplendor sobrenatural? Mas, subitamente foram despertados, e vocês lamentaram durante horas que o sonho não tivesse chegado a uma conclusão. E o que é um cristão, que não chega a perfeição, senão um sonho não concluído? Um sonho majestoso de todas as maneiras, e certamente, cheio das coisas que a terra não teria conhecido antes, se não fosse porque são reveladas pelo Espírito à carne e ao sangue.
Mas suponhamos que a voz do pecado nos espantasse antes que o sonho se concluísse, e como cada um se desperta, perdêssemos a imagem que começou a se formar em nossas mentes, o que seria de nós então? Remorsos eternos e uma multiplicação do tormento eterno seriam o resultado de haver começado a ser cristãos, se não alcançássemos a perfeição. Se pudesse existir tal coisa como um homem em quem se começou a obra da santificação, mas em quem Deus no Espírito cessou de operar; se pudesse existir um ser tão infeliz como para ser chamado pela graça para ser abandonado antes de ser aperfeiçoado, não haveria entre os condenados no inferno desventurado mais infeliz. Não seria uma bênção que Deus começasse a abençoar se não levasse à perfeição. Seria a maior maldição que a ira Onipotente poderia pronunciar: dar para um homem a graça, mas que essa graça não o conduzisse até o fim e não o pusesse com segurança no céu. 
Eu devo confessar que preferiria suportar os tormentos desse terrível arcanjo, Satanás, por toda a eternidade do que ter que sofrer como alguém a quem Deus uma vez amou, mas a quem depois reprovou. Mas isso não acontecerá jamais. A quem uma vez escolheu, Ele não o rejeitará. Sabemos que onde Ele começou uma boa obra, a aperfeiçoará até o dia de Jesus Cristo. Grandiosa é a oração, então, na qual o apóstolo pede que sejamos aperfeiçoados. O que seria de um cristão se não fosse aperfeiçoado? Nunca viram um painel sobre o qual a mão do pintor tenha esboçado com atrevido pincel alguma cena maravilhosa de grandeza? Vêem onde a viva cor tenha sido pintada com uma habilidade quase sobre-humana. Mas o artista caiu morto repentinamente e a mão que desenhou milagres de arte ficou paralisada e o pincel caiu. Acaso não é fonte de lamentos no mundo que alguma vez se tenha começado uma pintura que não pôde jamais ser terminada? Não viram o humano semblante divino em um relevo talhado em mármore? Viram a elegante habilidade do escultor e disseram a vocês mesmos: ‘Isto será algo maravilhoso!’ Que demonstração sem par de habilidade humana! Mas, Ah! Nunca foi completada, não se pôde terminar. E poderiam imaginar, qualquer um de vocês, que Deus começara a esculpir um ser perfeito e que não o terminara? Pensam que a mão da sabedoria divina esboçaria ao cristão sem completar seus detalhes? Acaso Deus nos tomou da pedreira como uma pedra sem lavrar, e começou a esculpir em nós, e a mostrar Sua arte divina, Sua maravilhosa sabedoria e graça, para logo nos lançar fora? Acaso Deus falhará? Deixará, por acaso, que Suas obras sejam imperfeitas? Leitores, mostrem se podem, algum mundo que Deus haja abandonado sem poder terminar. Há alguma partícula em Sua criação na qual Deus tenha começado a construir algo, mas que tenha sido incapaz de concluir? Acaso deixou incompleto algum anjo? Há, por acaso, uma só criatura da qual não se possa dizer: “É muito boa?”
E se dirá da criatura formada duas vezes: do eleito de Deus, do comprado com sangue, acaso se dirá: “O Espírito começou a operar no coração deste homem, mas o homem foi mais poderoso que o Espírito, e o pecado venceu a graça; Deus teve que fugir e Satanás triunfou, e o homem nunca foi aperfeiçoado?” Oh, meus queridos irmãos, a oração será ouvida. Depois que tenhais padecido um pouco de tempo, Deus os aperfeiçoará, se Ele começou a boa obra em vocês.
Mas, amados, deve ser depois que tenham padecido um pouco de tempo. Não poderão ser aperfeiçoados, exceto pelo fogo. Não há outra forma de lhes tirar a sua escória e suas impurezas senão por meio das chamas da fornalha da aflição. Filhos de Deus, vossa insensatez está tão ligada a seus corações, que nada senão a vara pode extirpá-la. É através das marcas de seus ferimentos que seu coração é melhorado. Devem passar pela tribulação para que, por meio do Espírito, possa funcionar como fogo purificador para vocês; para que uma vez purificados, santos, acrisolados, e lavados, compareçam diante da face de Deus, isentos de toda imperfeição, e livres de toda corrupção interna.
2. Prossigamos agora para a segunda jóia de bênção: Confirmação. Não é suficiente que o cristão tenha recebido um aperfeiçoamento proporcional, se não é confirmado. Vocês já viram um arco-iris no céu quando se faz visível pela planície: suas cores são gloriosas, e suas nuances são excepcionais. Ainda que o tenhamos visto muitíssimas vezes, nunca deixa de ser “algo belíssimo e um gozo constante.” Mas que lástima do arco-íris, não está confirmado. Se desvanece e aqui já não está. As belas cores cedem passo às nuvens carregadas e a abóbada celeste já não brilha com as tinturas do céu. Não está confirmado. Como pode ser isto? Algo que está feito de raios passageiros do sol e gotas instáveis da chuva, como poderia permanecer? E fixem nisto, quanto mais bela é a visão, mais desconsolada é a reflexão quando essa visão se desvanece, e não fica nada senão escuridão.
Então, ser confirmado é algo extremamente desejável para o cristão. De todas as concepções conhecidas de Deus, junto ao Seu Filho encarnado, não duvido em pronunciar ao cristão a mais nobre concepção de Deus. Mas se esta concepção não fosse senão um arco-íris pintado na nuvem, para desaparecer para sempre, não valeria nada o dia em que nossos olhos foram atraídos para ver o inatingível, com uma sublime visão que logo se vai derreter. O cristão não é melhor que a flor do campo, que hoje está e que se seca quando se levanta o sol com calor abrasador, a menos que Deus o confirme. Qual é a diferença entre o herdeiro do céu, o filho de Deus comprado com sangue, e a erva do campo?
Oh, que Deus lhes outorgue esta rica bênção, para que não sejam como o fumo de uma chaminé, que é rapidamente dispersado pelo vento: que sua bondade não seja como a nuvem da manhã, nem como o orvalho temporão que se evapora; senão que sejam confirmados, e que cada bem que tenham seja um bem permanente. Que seu carácter não seja como as letras escritas sobre areia, senão uma inscrição na rocha. Que sua fé não seja como “a urdidura sem marco de uma visão,” senão que esteja construída com material de pedra que aguentará esse horrível incêndio que consumirá a madeira, o feno e a ninhada do hipócrita. Que estejamos cimentados e arraigados no amor, que suas convicções sejam profundas. Que seu amor seja real. Que seus desejos sejam sinceros. Que sua vida inteira esteja estabelecida, fixada e confirmada, para que todos os fortes ventos do inferno e todas as tormentas da terra sejam incapazes de lhes perturbar.
Vocês sabem que consideramos que alguns cristãos estão bem confirmados há muito tempo. Tenho temor, na verdade, que hajam muitos que são velhos, mas que não tenham sido confirmados. Uma coisa é ter o cabelo branco pelos anos, mas outra coisa muito diferente é que obtenhamos sabedoria. Há alguns que não se tornam mais sábios apesar de toda a sua experiência. Ainda que seus dedos estejam bem cobertos pela experiência, não aprenderam nessa escola. Sei que há muitos velhos cristãos que podem dizer de si mesmos, e dizê-lo também com muita tristeza, que gostariam de voltar a ter suas oportunidades, para poder aprender mais, e poder estar mais confirmados. Lhes ouvimos cantar: 
“Descubro que sou um aprendiz, todavia,
Incapaz, débil e pronto para errar.”
Sem dúvidas, eu oro para que a bênção do apóstolo seja derramada em nós, independentemente que sejamos jovens ou velhos, mas especialmente naqueles que têm conhecido por muito tempo ao seu Senhor e Salvador. Vocês não devem estar sujeitos agora a essas dúvidas que maltratam aos bebês na graça. Não se lhes deve estar ensinando sempre os primeiros rudimentos: devem prosseguir para algo mais elevado. Estão se aproximando do céu; oh, a que se deve que não tenham chegado todavia a terra prometida, a essa terra que mana leite e mel? Certamente suas titubeações não combinam com os cabelos grisalhos. Dá a impressão que foram branqueando com a luz do sol do céu. Como é possível que seus olhos não dispensem algo dessa luz? Nós que somos jovens buscamos um exemplo em vocês, que são cristãos bem confirmados; e se lhes vemos duvidar, e lhes ouvimos falando com lábios temerosos, então nos abatemos de um alto degrau. Oramos por nós e por vós, para que esta bênção se cumpra em vocês, para que possam ser confirmados. Para que não se exercitem mais na dúvida. Para que conheçam seus interesses em Cristo. Para que se sintam seguros Nele. Para que descansando na rocha das eras possam saber que não perecerão enquanto estiverem fixados ali. De fato oramos por todos, independentemente de sua idade, para que nossa esperança esteja posta unicamente no sangue e na justiça de Jesus, e que esteja tão firmemente arraigada, que não seja sacudida jamais, senão que sejamos como o monte Sião, inabalável e que permanece para sempre.
Desta maneira tenho explicado sobre a segunda jóia desta bênção. Mas, lembrem-se, não podemos obtê-la senão depois de haver padecido um pouco de tempo. Não podemos ser confirmados exceto por meio do padecimento. É inútil esperar que estaremos bem arraigados sem que os ventos de Março não tenham soprado sobre nossas cabeças. Não esperemos que o jovem carvalho lance suas raízes tão profundamente como o carvalho velho. Esses velhos laços nas raízes, essas estranhas quebras dos galhos, todos falam das muitas tormentas que hão açoitado à antiga árvore. Mas são indicadores também das profundezas a que se submergiram as raízes; e todos dizem ao lenhador que espere partir primeiro uma montanha que arrancar esse carvalho de raízes. Devemos padecer um pouco de tempo, para logo sermos confirmados.
3. Agora vamos comentar a terceira bênção, que é o Fortalecimento. Ah, irmãos, esta é uma bênção muito necessária para todos os cristãos. Há alguns que parecem estar fixados e confirmados. Mas todavia carecem de força e de vigor. Me permitem dar-lhes um retrato de um cristão sem forças? Ali o têm. Ele tem apoiado a causa do Rei Jesus. Se vestiu de sua armadura; se alistou no exército celestial. Podem observá-lo? Está perfeitamente armado da cabeça aos pés, e leva consigo o escudo da fé. Podem ver também quão firmemente está confirmado? Mantém seu lugar, e não será movido dali. Mas, vejam-no, Quando usa sua espada, golpeia com pouquíssima força. Seu escudo, ainda que o sustenha tão firmemente como sua debilidade o permita, treme em seu punho. Ali está e não se moverá. Sem dúvidas, quão oscilante é a sua posição. Seus joelhos se chocam com espanto quando ouve o som e o ruído da guerra e do tumulto. Do que precisa este homem? Sua vontade é correcta, e seu coração está posto plenamente nas coisas boas. O que precisa? Necessita força. O pobre homem é fraco e se assemelha à uma criança. Seja que foi alimentado com comida mal temperada e insubstancial, ou por conta de algum pecado que o perseguiu, não tem força nem a vitalidade que deveria habitar um cristão. Mas uma vez que a oração de Pedro seja respondida para ele, quão forte se tornará. Em todo o mundo não há uma criatura tão forte como um cristão quando Deus está com ele.
Fale de Behemot! Não é nada senão algo muito pequeno. Seu poder é fraqueza quando se lhe compara ao crente. Fale de Leviatan! Que faz que o abismo seja branco! Ele não é o chefe dos caminhos de Deus. O verdadeiro crente é mais poderoso que ele. Nunca viram ao cristão quando Deus está com ele? Cheira a batalha desde longe, e clama em meio do tumulto: “Vamos! Vamos! Vamos!” Se ri de todas as hostes inimigas. Ou se comparas com Leviatan: se é arrojado em um mar em tribulação, dá chicotadas por todos os lados e faz que o abismo se torne branco com bênçãos. As profundezas não lhe surpreendem, nem teme as rochas; tem a proteção de Deus ao seu redor, e as águas não podem sufocar-lhe; e mais, se tornam um elemento de deleite para ele, quando por graça de Deus se regozija em meio das altas ondas.
Se querem uma prova de força de um cristão, somente têm que revisar a história, e poderão ver como os crentes apagaram a violência do fogo, fecharam as bocas dos leões, agitaram os punhos diante da pavorosa morte, se riram até do desprezo dos tiranos, e puseram em fuga aos exércitos inimigos, por meio do poder superior da fé em Deus. Rogo a Deus, meus irmãos, que lhes fortaleça este ano.
Os cristãos desta época são pessoas fracas. É algo notável que agora a grande maioria dos filhos nasce débil. Vocês me pedem as evidências disto. Posso fornecê-las de imediato. Vocês sabem que a Liturgia da Igreja da Inglaterra se instrui e se ordena que todos os filhos sejam submersos no batismo, exceto aqueles que tenham uma débil condição certificada. Agora, seria pouco compassivo imaginar que as pessoas sejam culpadas de falsidade quando cumprem o que consideram uma ordenança sagrada; e portanto, como quase todos os filhos são agora borrifados e não submersos, eu suponho que todos nascem fracos. Não vou dizer se isso explica o fato que todos os cristãos sejam tão débeis, mas é certo que não temos muitos gigantes cristãos em nossos dias.
Por aqui e por ali ouvimos de alguém, ao que somente lhe faz falta operar milagres nestes tempos modernos, e ficamos atónitos. Oh, que vocês tivessem fé como estes homens! Não creio que haja mais piedade agora do que se procurava ter nos dias dos puritanos. Creio que há muitos mais homens piedosos; mas enquanto a quantidade se multiplicou, temo que a qualidade tenha sido desprezada. Naqueles dias o ribeiro da graça era na verdade muito profundo. Alguns daqueles velhos puritanos, (quando lemos sobre sua devoção, e sobre as horas que passaram em oração), pareciam ter tanta graça como qualquer centena de nós. O ribeiro era muito profundo. Mas agora as margens perderam sua forma e grandes pastagens foram inundadas pela água. Até ali vamos bem. Mas ainda que a superfície tenha se expandido, temo que a profundidade tenha diminuído espantosamente. E esta pode ser a explicação: que devido a que nossa piedade se tornou mais superficial, nossa força se debilitou. Oh, que Deus lhes fortaleça este ano!
Mas recordem, se Ele o fizer, então terão que padecer. “Depois que tenhais padecido um pouco de tempo,” que Ele lhes fortaleça. As vezes fazem uma operação nos cavalos que alguém consideraria cruel: os cauterizam para fortalecer seus tendões. Agora, cada cristão antes que seja fortalecido deve ser cauterizado. Seus nervos e seus tendões devem ser fortificados com o ferro incandescente da aflição. Nunca serás forte em graça, a menos que primeiro padeças um pouco de tempo.
4. E agora me referirei a última das quatro bênçãos: “Estabelecimento.” Não direi que esta última bênção é maior que as outras três, mas é um degrau para cada uma delas; e é estranho dizê-lo, é muitas vezes o resultado da obtenção gradual das três bênçãos precedentes. “Estabelece-te!” Oh, quantos andam por aí que não se estabeleceram jamais. A árvore que é transplantada a cada semana morrerá rapidamente. E mais, se fosse trocada, não importa quão habilmente, uma vez ao ano, nenhum jardineiro esperaria fruto dela. Quantos cristãos existem que estão sendo transplantados constantemente, inclusive enquanto aos seus sentimentos doutrinários. Há alguns que crêem segundo o último pregador; e há outros que não sabem em quê crêem, mas crêem em quase tudo o que lhes falam.
O espírito de caridade cristã, tão cultivado nestes dias, e que todos amamos tanto, tem ajudado, temo, a trazer ao mundo uma espécie de latitudinarismo[1]; ou em outras palavras, os homens têm chegado a crer que não importa em quê creiam; que ainda que um ministro diga é assim, e o outro diga não é assim, sem dúvidas os dois estão no correto; que ainda que nos contradigamos absolutamente um ao outro, apesar disso, ambos temos a razão. Eu não sei onde fabricaram o juízo aos homens, mas a meu parecer, sempre se considera impossível crer em uma contradição. Não posso entender nunca como sentimentos tão contrários possam ser conformados à Palavra de Deus, que é a norma da verdade. Mas há alguns que são como um campanário sobre a torre de uma igreja, pois se voltam para onde sopre o vento. Como disse o bom senhor Whitefield: “seria mais fácil medir a lua para vestí-la, que identificar seus pensamentos doutrinários,” pois sempre estão variando e sempre estão trocando.
Agora, eu rogo que vocês sejam livrados disto, se é essa a vossa debilidade, e que possam ser estabelecidos. Que a intolerância seja arremessada para longe de nós. Sem dúvida, eu desejo que o cristão saiba o que considera que é verdade e logo o sustente. Tomem seu tempo para examinar a controvérsia, mas uma vez que tenham decidido, que não sejam convencidos com facilidade. Seja Deus verdadeiro, ainda que todo homem seja mentiroso; e sustenham que o que esteja de acordo com a Palavra de Deus um dia, não pode ser contrário a ela outro dia; que o que foi certo na época de Lutero e na época de Calvino deve ser certo agora; que as falsidades podem variar, pois têm uma aparência multiforme; mas a verdade é uma, é indivisível e para sempre a mesma. Que outros pensem o que queiram. Concedam maior latitude ao demais, mas vocês não se permitam a nenhuma falsidade. Permaneçam firmes e inabaláveis segundo lhes foi ensinado, e sempre busquem o espírito do apóstolo Paulo, “se alguém ensina um evangelho diferente do que haveis recebido, seja anátema”. Sem dúvida, como quero que estejam firmes em sua doutrina, minha oração é que estejam especialmente estabelecidos em vossa fé. Vocês crêem em Jesus Cristo, o Filho de Deus, e descansam nele. Mas algumas vezes vacilam; então perdem o vosso gozo e consolo. Eu peço para que sua fé esteja estabelecida, que nunca duvidem se Cristo é vosso ou não, senão que digam confiadamente: “Eu sei em quem tenho crido, e estou seguro que é poderoso para guardar o meu depósito”. Oro para que estejam estabelecidos em vossas metas e propósitos.
Há muitas pessoas cristãs que têm uma ideia muito boa em suas cabeças, mas nunca a implementam, porque perguntam ao amigo qual é a sua opinião. “Não é grande coisa,” responde. Por suposto que não. Quem tem em alta opinião as idéias dos outros? E de imediato, a pessoa que a concebeu renuncia a ela, e a obra nunca se completa. Quantos homens em seus ministérios começaram a pregar o Evangelho, e permitiram que algum membro da igreja, possivelmente algum diácono, lhe incitasse a orelha levando-se um pouco por essa direção. Mais tarde, algum outro irmão considerou conveniente incitá-lo em direção contrária. O homem perdeu o seu brio. Nunca se estabeleceu quanto ao que deve fazer; e agora se converteu em um simples lacaio, esperando a opinião de cada um, desejoso de adotar o que outros concebam que é o correto.
Agora, lhes peço que estejam estabelecidos em suas metas. Vejam qual é o lugar que Deus quer que ocupem. Parem ali, não saiam apesar de todas zombarias que tenham que suportar. Se crêem que Deus lhes chamou para uma obra, façam-a. Se os homens lhes ajudam, lhes agradeçam. Se não lhes ajudam, digam-lhes que se apartem de seu caminho ou serão atropelados. Que nada os intimide. Quem quiser servir ao seu Deus deve estar preparado algumas vezes a servir-lhe sozinho. Nem sempre lutaremos em meio as fileiras. Há momentos nos quais o Davis do Senhor deve pelejar sozinho com os Golias, e devem tomar consigo cinco pedras do riacho em meio ao escárnio de seus irmãos, e contudo, com suas armas, eles estarão confiados na vitória pela fé em Deus. Não permitam que lhes tirem da obra na qual Deus os pôs. Não se cansem de fazer o bem, pois ao seu devido tempo, colherão se não desfalecerem. Estejam estabelecidos. Oh, que Deus derrame esta rica bênção em vós.
Mas não estarão estabelecidos a menos que padeçam. Padecendo, ficarão em sua fé e estabelecidos em suas metas. Os homens são animais invertebrados nestes dias. Não contamos com os homens resistentes que sabem que têm razão e a sustentam. Ainda quando um homem esteja equivocado, alguém verdadeiramente admira sua retidão quando se levanta crendo que possui a razão e se atreve a enfrentar as ameaças do mundo. Mas quando um homem tem a razão, o pior que lhe pode ocorrer é que seja inconstante, que vacile, que os homens o intimidem. Lança isso para longe de ti, cavaleiro da santa Cruz, e seja firme se quer sair vitorioso. O coração desfalecente jamais tomou de assalto nenhuma cidade, e você nunca vencerá nem será coroado de honra, se teu coração não se endurece frente a cada investida e se não estás estabelecido em tua intenção de honrar ao teu Senhor e de ganhar a coroa.
Desta maneira termino de explicar a bênção.
II. Agora, lhes peço vossa atenção por mais alguns momentos, para observar AS RAZÕES PELAS QUAIS O APÓSTOLO ESPERAVA QUE ESTÁ ORAÇÃO FOSSE OUVIDA. Ele pedia que fossem aperfeiçoados, confirmados, fortalecidos e estabelecidos. Incredulidade sussurrou ao ouvido de Pedro: “Pedro, pedes demasiado. Sempre foste teimoso. Tu disseste: 'Manda que eu vá a ti sobre as águas.' Certamente que este é outro exemplo da tua presunção. Se tivesses dito: 'Senhor, santifica-me,' não teria sido uma oração suficiente? Não pediste demasiado?” “Não,” disse Pedro; e respondeu para a Incredulidade: “estou seguro que receberei o que tenho pedido; pois em primeiro lugar estou pedindo ao Deus de toda a graça: o Deus de toda graça.” Não somente o Deus das pequenas graças recebidas, senão o Deus da grandiosa graça ilimitada que está armazenada para nós na promessa, mas que todavia não temos recebido em nossa experiência. “O Deus de toda graça;” da graça que revive, que convence, que perdoa, que crê, o Deus de toda graça que consola, apoia, e sustêm. Certamente, quando viermos a Ele, não poderemos vir pedindo demasiado. Se Ele é o Deus, não de uma graça, senão de todas as graças; se nele está armazenada provisão infinita, ilimitada, inacabável, como poderíamos pedir demasiado, ainda que peçamos que cheguemos a ser perfeitos?
Crente, quando estiver de joelhos, lembre-se que estás indo até um Rei. Que suas petições sejam grandes. Imite o exemplo de um cortesão de Alexandre o Grande, que quando se lhe disse que podia receber o que pedisse como recompensa por seu valor, pediu uma soma de dinheiro tão grande que o tesoureiro de Alexandre recusou entregá-la sem falar primeiro com o monarca. Quando viu o monarca, este sorriu e lhe disse: “Em verdade é demasiado isso que pedes, mas não é demasiado para que Alexandre lhe conceda. Lhe admiro por sua fé em mim; entregue-lhe tudo o que pedir”. Me atreverei a pedir que meu temperamento colérico me seja tirado, que minha rebeldia seja extirpada, e minhas imperfeições sejam cobertas? Posso pedir ser semelhante a Adão no jardim, não, mais ainda, tão puro e perfeito como o próprio Deus? Posso pedir que um dia caminhe pelas ruas de ouro, e “cingido com as vestes do meu Salvador, santo como o santo,” estar no pleno brilho da glória de Deus, e clamar: “Quem acusará aos escolhidos de Deus?” Sim, posso solicitá-lo, e o terei, pois Ele é o Deus de toda graça.
Olhem novamente o texto, e vejam outra razão pela qual Pedro sabia que sua oração seria ouvida: “Mas o Deus de toda graça, que nos chamou.” Incredulidade poderia ter dito a Pedro: “Ah, Pedro, é verdade que Deus é o Deus de toda graça, mas Ele é uma fonte fechada, como águas seladas.” “Ah,” disse Pedro, “venha aqui, Satanás; não saboreias as coisas de Deus. Não é uma fonte selada de toda a graça, pois já começou a fluir.” “Mas o Deus de toda a graça, que nos chamou”. O chamado é a primeira gota de misericórdia que caiu nos lábios sedentos do moribundo. O chamado é o primeiro anel de ouro da corrente de eternas misericórdias. Não o primeiro em ordem de tempo com Deus, senão o primeiro em ordem de tempo conosco. O primeiro que conhecemos de Cristo em Sua misericórdia, é o que Ele clama: “Vinde a mim todos que estais cansados e sobrecarregados,” e que por meio de Seu doce Espírito se dirige a nós, de tal forma que obedecemos ao chamado e viemos a Ele.
Agora observem, se Deus me chamou, posso pedir-lhe que me confirme e guarde; posso pedir-lhe que conforme transcorram os anos, minha piedade não se apague; posso pedir que a sarça arda, mas que não se consuma, que a panela de farinha não escasseie e a vasilha de azeite não diminua. Me atreverei a pedir que até a última hora de vida possa ser fiel a Deus, porque Deus é fiel comigo? Sim, posso pedi-lo, e também o obterei: porque o Deus que chama dá o repouso. “Porque aos que antes conheceu, também os predestinou… E aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou”. Pensa em teu chamado, cristão, e tenha ânimo: “Porque irrevogáveis são os dons e o chamado de Deus”. Se Ele te chamou, nunca se arrependerá do que fez, nem cessará de abençoar e nem cessará de salvar.
Mas creio que há uma razão ainda mais poderosa: “Mas o Deus de toda a graça, que nos chamou à sua glória eterna.” Querido leitor, Deus te chamou? Sabes para quê te chamou? Primeiro te chamou a casa da convição, de onde te fez sentir teu pecado. Logo te chamou ao cimo do Calvário, de onde viste realmente teu pecado expiado e teu perdão selado com o sangue precioso. E agora Ele te chama. E de onde te chama? Ouço uma voz hoje: a incredulidade me diz que há uma voz que está me chamando para as ondas do Jordão. Oh, incredulidade! É verdade que minha alma tem que caminhar através das ondas tormentosas desse mar. Mas a voz provém das profundezas da tumba, provém da glória eterna. Ali onde Jeová se senta resplandecente em Seu trono, rodeado de querubins e serafins, desde o brilho que os anjos não se atrevem a olhar, escuto uma voz: “Venha a Mim, pecador lavado com o sangue, venha a Minha glória eterna.” Oh, céus! Não é este um maravilhoso chamado? Ser chamado à glória, chamado às ruas brilhantes e às portas de pérolas, ser chamado a ouvir as harpas e hinos de felicidade eterna, e ainda melhor, ser chamado ao peito de Jesus, chamado a ver a face de Seu Pai, chamado não à glória eterna, senão à Sua glória eterna, chamado à essa mesma glória e honra com as quais Deus se cercou para sempre.
E agora amados, é demasiado grande qualquer oração depois disto? Deus me chamou ao céu, e há algo na terra que Ele me negue? Se Ele me chamou para morar no céu, acaso não é necessária a perfeição para mim? Por isso, não posso pedi-la? Se Ele me chamou à glória, não é necessário que eu seja fortalecido para combater em meu caminho até lá? Acaso não posso pedir para ser fortificado? E mais, se há na terra uma misericórdia demasiadamente grande para que pense nela, demasiadamente grande para ser concebida, demasiadamente pesada para que minha língua a leve diante do trono em oração, Ele fará por mim muitíssimo mais abundantemente do que o que eu possa pedir, ou que possa alguma vez imaginar. Sei que o fará, pois me chamou à Sua glória eterna.
A última razão, pela qual o apóstolo esperava que sua bênção fosse derramada, é esta: “Que nos chamou à sua glória eterna em Jesus Cristo”. É um fato singular que nenhuma promessa seja tão doce para o crente como aquela na qual o nome de Cristo é mencionado. Se tenho que pregar um sermão de consolo para cristãos deprimidos, nunca escolheria um texto que não me permitisse guiar a pessoa deprimida até a cruz. Não lhes parece demasiado, irmãos e irmãs, neste dia, que o Deus de toda graça seja seu Deus? Acaso não ultrapassa a vossa fé, que Ele efetivamente os haja chamado? Não se perguntam as vezes se em verdade foram chamados? Quando pensam na glória eterna, surge a pergunta: “Eu a gozarei alguma vês? Alguma vez verei a face de Deus com aceitação?” Oh amados, quando ouvem de Cristo, quando sabem que Sua graça vem por meio de Cristo, e o chamado através de Cristo, e a glória por meio de Cristo, então dizem: “Senhor, posso crer agora, se é por meio de Jesus Cristo”. Não é difícil crer que o sangue de Cristo fora suficiente para comprar todas as bênçãos para mim. Se eu vou ao tesouro de Deus sem Cristo, temo pedir qualquer coisa, mas quando Cristo está comigo, então posso pedir-lhe tudo. Com certeza creio que Ele o merece ainda que eu não o mereça. Se posso argumentar Seus méritos, então não tenho medo de suplicar. Acaso a perfeição é uma bênção demasiadamente grande para que Deus a dê a Cristo? Oh, não. Guardar a estabilidade e a preservação dos comprados com o sangue, é, acaso, uma recompensa demasiadamente grande para as terríveis agonias e sofrimentos do Salvador? Não o creio. Então podemos suplicar com confiança, porque tudo vem a nós por meio de Cristo.
Para concluir, quero fazer este comentário. Desejo, meus irmãos e irmãs, que durante este ano possam viver mais perto de Cristo do que hajam vivido antes. Estejam convencidos disto: quando pensamos muito em Cristo é quando pensamos menos em nós mesmo, em nossas aflições, e nas dúvidas e temores que nos assediam. Comecem a fazer isto neste dia, e que Deus lhes ajude. Não permitam que passe nenhum dia sobre vossas cabeças, sem uma visita ao jardim do Getsêmani e à cruz do Calvário.
E quanto a alguns de vocês que não são salvos, e conheceram ao Redentor, Deus quer que venham a Cristo neste mesmo dia. Me atrevo a dizer que vocês crêem que vir a Cristo é algo terrível: que necessitam estar preparados antes que possam vir; que Ele será duro e rigoroso convosco. Quando os homens têm que ir ao advogado, podem tremer; quando têm que visitar ao médico, podem sentir temor; ainda que ambos tipos de profissionais não sejam bem-vindos, em muitas ocasiões são necessários. Mas quando venham a Cristo, podem vir com ousadia. Não precisam pagar honorários; não é necessária preparação. Podem vir tal como são. Martinho Lutero fez um comentário cheio de valor quando disse: “eu correria aos braços de Cristo, ainda que tivesse uma espada desembainhada em Sua mão.” Agora, Ele não tem uma espada desembainhada, senão que tem Suas feridas nas mãos. Corre aos Seus braços, pobre pecador. “Oh,” tu perguntas: “posso vir?” Como podes fazer esta pergunta? Se te ordena vir. O grande mandamento do Evangelho é: “Crê no Senhor Jesus Cristo.” Os que desobedecem este mandamento, desobedecem a Deus. É tão mandamento de Deus que o homem creia em Cristo, como o é que devemos amar a nosso próximo. Agora, como é um mandamento, eu tenho certamente o direito de obedecê-lo. Vocês podem ver que não há nenhuma dúvida; um pecador tem a liberdade de crer em Cristo porque lhe foi dito que o faça. Deus não lhe teria dito que fizesse algo que não devas fazer. Se te permite que creias. “Oh,” dirá alguém, “isso é tudo o que necessito saber. Eu creio que Cristo pode salvar perpetuamente. Posso descansar minha alma nele, e dizer que me submerja ou nada: bendito Jesus, Tu és o meu Senhor?” Dizes: Posso fazê-lo? Homem, se te manda que o faças! Oh, que possas fazê-lo. Lembre-se, nisto não está arriscando nada. O risco está em não fazê-lo. Arroja-te em Cristo, pecador. Descarte qualquer outra dependência e descanse unicamente nele. “Não,” dirá alguém, “eu não estou preparado.” Preparado, amigo? Então não me entendeste. Não é necessária nenhuma preparação; se trata de vir simplesmente como és. “Oh, não sinto minha necessidade o suficiente.” Eu sei que não. Mas, o que isso tem a ver? Se te ordena que se lances em Cristo. Não importa quão negro ou quão mau seja, confia nele. O que crê em Cristo será salvo, ainda que seus pecados sejam muitos; o que não crê será condenado, ainda que seus pecados sejam poucos. O grande mandamento do Evangelho é: “Crê.” “Oh,” alguém dirá, “devo dizer que Cristo morreu por mim?” Ah, eu não disse isso, tu o saberás logo. Essa pergunta não tem nada que ver contigo agora, teu assunto é crer em Cristo e confiar nele; arrojar-te em Seus braços. E que o Deus Espírito te conduza suavemente agora para que o faças.
Agora, pecador, aparta as tuas mãos de tua justiça própria. Abandona toda ideia de tornar-te melhor por meio de tuas próprias forças. Se deixe levar pela promessa. Diga:
“Ainda que não tenha nenhum argumento,
Exceto que Teu sangue foi derramado por mim,
E que me ordenas a vir a Ti;
Oh, Cordeiro de Deus! Eu venho, eu venho.”
Não podes confiar em Cristo para descobrir depois que te enganaste.
Agora, tenho me expressado com clareza? Se tiver aqui um grupo de pessoas endividadas, e se eu dissesse: “se vocês me confiarem suas dívidas, serão pagas, e nenhum credor os molestará adiante,” me entenderiam claramente. Como é que não podem entender que confiar em Cristo eliminará todas as vossas dívidas, removerá todos os vossos pecados, e serão salvos eternamente? Oh, Espírito do Deus vivo, abra o entendimento para recebê-lo, e o coração para obedecê-lo, e que muitas almas se lancem sobre Cristo. Sobre todos eles, assim como em todos os crentes, eu pronuncio a bênção, com a qual os despedirei: “Mas o Deus de toda a graça, que nos chamou à sua glória eterna em Jesus Cristo, depois que tenhais padecido um pouco de tempo, ele mesmo os aperfeiçoe, confirme, fortaleça e estabeleça!”. Amém
___________________
ORE PARA QUE O ESPIRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA CONVERSÃO DE MUITAS ALMAS PARA CRISTO.
Tradução: Junior Rubira
Revisão e diagramção: Armando Marcos
Texto original: Una Bendicion de Año Nuevo, de Allan Román, traduzido de A NEW YEAR’S BENEDICTION, do Volume 6 do New Park Street Pulpit.



[1] Latitudinarianismo – foi um movimento de parte da Igreja Anglicana de alguns clérigos no século 18, que defendiam a tolerância religiosa e sustentou um meio termo entre o dogmatismo religioso e o ceticismo

domingo, 25 de dezembro de 2011


“Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mateus 1:21).
Não precisamos ir mais longe do que isso para entender o significado do Natal. Está tudo no nome do Menino.
De acordo com o relato acima do Evangelho de Mateus, o nome de Jesus Cristo foi dado pelo anjo Gabriel quando anunciou seu nascimento a José, desposado com a virgem Maria. Gabriel não somente disse que Maria estava grávida pelo Espírito Santo de Deus como orientou José a chamar o filho de “Jesus”.
A razão para este nome, cuja raiz em hebraico significa “salvar,” é que aquele menino, filho de Maria e Filho de Deus, haveria de salvar o seu povo dos seus pecados, conforme anunciou o anjo.
Não precisamos ir mais longe do que isso para entender o significado do Natal. Está tudo no nome do Menino. No nome dele, Jesus, temos a razão para seu nascimento, a sua identidade e a missão de sua vida. Em outras palavras, aquilo que o Natal realmente representa.
A razão do seu nascimento é simplesmente esta, que somos pecadores, estamos perdidos, não podemos resolver este problema por nós mesmos e precisamos desesperadamente de um Salvador, alguém que nos livre das consequências passadas, presentes e futuras dos nossos erros. Deus atendeu nossa necessidade escolhendo um homem como nós para ser nosso representante e Salvador, alguém que partilhasse da nossa humanidade e fosse um de nós. Esse homem nasceu há dois mil anos naquela manjedoura da cidade de Belém, num pais remoto, lá no Antigo Oriente. E ganhou o nome de Jesus por este motivo.
Sua missão era assumir nosso lugar como nosso representante diante de Deus e sofrer todas as consequências de nossos pecados, erros, iniqüidade, desvios e desobediências. Em vez de castigar-nos com a morte eterna, como merecemos, Deus faria com que ele a experimentasse em nosso lugar, que ele experimentasse toda dor e sofrimento conseqüentes dos nossos pecados. Essa missão foi revelada logo ao nascer pelo anjo Gabriel ao recitar seu nome a José: Jesus.
Para nos salvar de nossos pecados, ele teria de sofrer e morrer, ser sepultado, ficar sob o domínio da morte e desta forma pagar inteiramente nossa dívida para com Deus. Somente assim poderíamos ser salvos das consequências eternas de nossa desobediência. Mas, para que os benefícios de seu sofrimento e de sua morte pudessem ser transferidos a outros seres humanos, ele não poderia ter pecado ou culpa pois, senão, ao morrer, estaria simplesmente recebendo o salário do seu próprio pecado. Mas, se ele fosse inocente, sem pecado e perfeito, sua morte teria valor para os pecadores. Por este motivo, ele foi gerado pelo Espírito Santo no ventre de Maria, ainda virgem, Filho de Deus, sem pecado. O Salvador tinha que ser Deus e homem ao mesmo tempo.
Quando um colunista, que objeta ao nascimento sobrenatural de Jesus, escreveu recentemente em um jornal de grande circulação de São Paulo que virgens não dão à luz todos os dias, ele estava mais certo do que pensava. Esse é o único caso. Jesus é único. Deus e homem numa só pessoa. Nem antes e nem depois dele virgens engravidam sobrenaturalmente. Da mesma forma que Deus não cria mundos todos os dias, também não gera salvadores de virgens cotidianamente. Pois nos basta este.
O famoso teólogo suíço Emil Brunner disse que todo homem tem um problema no passado, no presente e no futuro. No passado, culpa. No presente, medo. E no futuro, a morte. Jesus nos salva de todas estas consequências do pecado: nos perdoa da culpa de nossos erros passados, nos livra no presente do medo ao andar conosco e nos livrará da morte pois ressurgiu dos mortos e vive à direita de Deus. Um dia haverá de nos ressuscitar.
É isto que o Natal representa. É por isto que os cristãos o celebram com tanta gratidão e alegria. Nasceu o Salvador. Nasceu Jesus! Como este anúncio alegra o coração daqueles que têm culpa, sentem medo e sabem que vão morrer!
Por Augustus Nicodemus Lopes | tempora-mores.blogspot.com
FONTE:
www.voltemosaoevangelho.com

Devemos comemorar o Natal?

Muito se tem falado contra o Natal. Os principais argumentos são (1) origens pagãs ou católicas, (2) a influência mercadológica nos dias de hoje e (3) uma suposta violação do princípio regulador do culto. Apesar de haverem pontos válidos, no VE não cremos que haja qualquer impedimento bíblico para os cristãos comemorarem o nascimento de Cristo – atenção, comemorar o nascimento de Cristo – em uma data qualquer (ou no dia 25 de Dezembro). Iremos abaixo apresentar resumidamente alguns argumentos e referências sobre o assunto.
Em 2010 postamos um texto de John Piper onde ele trata sobre a relevância da origem pagã do Natal. John MacArthur respondendo a pergunta “os cristãos devem celebrar o natal?” argumenta:
As Escrituras não ordenam especificamente que os crentes celebrem o Natal — não há “Dias Sagrados” prescritos que a igreja deva celebrar. De fato, o Natal não era observado como uma festividade até muito após o período bíblico. Não foi antes de meados do século V que o Natal recebeu algum reconhecimento oficial.
Nós cremos que o celebrar o Natal não é uma questão de certo ou errado, visto que Romanos 14:5-6 nos fornece a liberdade para decidir se observaremos ou não dias especiais:
Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente convicto em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. E quem come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus (Romanos 14: 5-6).
De acordo com esses versos, um cristão pode, legitimamente, separar qualquer dia — incluindo o Natal — como um dia para o Senhor. Cremos que o Natal proporciona aos crentes uma grande oportunidade para exaltar Jesus Cristo.
Mark Driscoll diz que quando se trata de questões culturais os cristãos têm três opções: Rejeitar, Receber ou Redimir.
Receber – Há coisas na cultura que fazem parte da graça comum de Deus a todas as pessoas, as quais um cristão pode simplesmente receber. É por isso que, por exemplo, estou digitando em um Mac e vou postar neste blog na internet sem ter que procurar um computador ou um formato de comunicação expressamente cristãos.
Rejeitar – Há coisas na cultura que são pecaminosas e não benéficas. Um exemplo é a pornografia, que não tem valor redentor e deve ser rejeitada por um cristão.
Resgatar – Há coisas na cultura que não são ruins em si mesmas, mas podem ser usadas de uma forma pecaminosa e, portanto, precisam ser resgatadas pelo povo de Deus. Um exemplo que teve grande repercussão na mídia é o prazer sexual. Deus fez nossos corpos para, entre outros fins, o prazer sexual. E, embora muitos tenham pecado sexualmente, como cristãos, devemos resgatar este grande dom e todas as suas alegrias, no contexto do casamento. [1]
Dentro dessa perspectiva, há aqueles que rejeitam o Natal (e não há problema nenhum, desde que se atentem as repreensões de Paulo em Romanos 14). Cremos, contudo, que temos a oportunidade de resgatar esta festividade, usando-a para os seguintes fins:
Primeiro, a temporada de Natal nos lembra das grandes verdades da Encarnação. Recordar as verdades importantes sobre Cristo e o evangelho é um tema prevalecente no Novo Testamento (1 Coríntios 11:25; 2 Pedro 1:12-15; 2 Tessalonicenses 2:5). A verdade necessita de repetição, pois nós facilmente a esquecemos. Assim, devemos celebrar o Natal para recordar o nascimento de Cristo e nos maravilhar ante o mistério da Encarnação.
O Natal também pode ser um tempo para adoração reverente. Os pastores glorificaram e louvaram a Deus pelo nascimento de Jesus, o Messias. Eles se regozijaram quando os anjos proclamaram que em Belém havia nascido um Salvador, Cristo o Senhor (Lucas 2:11). O bebê deitado na manjedoura naquele dia é nosso Senhor, o “Senhor dos senhores e Rei dos reis” (Mateus 1:21; Apocalipse 17:14).
Finalmente, as pessoas tendem a serem mais abertas ao evangelho durante as festividades de Natal. Devemos aproveitar desta abertura para testemunhar a eles da graça salvadora de Deus, através de Jesus Cristo. O Natal é principalmente sobre o Messias prometido, que veio para salvar Seu povo dos seus pecados (Mateus 1:21). A festividade nos fornece uma maravilhosa oportunidade para compartilhar esta verdade.
Embora nossa sociedade tenha deturpado a mensagem do Natal através do consumismo, dos mitos e das tradições vazias, não devemos deixar que estas coisas nos atrapalhem de apreciar o real significado do Natal. Aproveitemo-nos desta oportunidade para lembrar dEle, adorá-Lo e fielmente testemunhar dEle. [2]
FONTE:
www.voltemosaoevangelho.com

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Ministério de Adoração da IIGD - Senhor, cuida de mim



01. Guerreiro Vencedor
02. Cuida de Mim
03. Me Realizo
04. Mensageiro
05. Necessito de Ti, Senhor
06. Vamos cantar de alegria
07. Sedento de Ti
08. Apaixonado
09. Não há Deus igual a Ti
10. Tua beleza é Incomparável
11. Intimidade
12. Grande Adoração
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sábado, 29 de outubro de 2011

PAULO CESAR BARUK - AS 15 MAIS (2011)


01.. Quando Entro em tua presença

02.. Confiar em ti

03.. Quanto amor

04.. Te amo tanto

05.. Prostado (Luciano Claw)

06.. Reina em mim

07.. Viver em Comunhão

08.. Dependo de ti

09.. Mais que uma voz

10.. Jardim da inocência

11.. O meu querer

12.. Filho de Deus

13.. Eu corro pra tu

14.. Rei das nações

15.. Galhos secos (Leandro Domingues)

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NAMORO PRECOCE - POR YAGO MARTINS


Quando eu aconselho jovens que já namoram ou que querem começar a namorar, eu costumo falar sobre cinco motivos para evitarmos entrar muito cedo em um relacionamento deste tipo – todos retirados de minha experiência pessoal.

1. O motivo emocional;

Se você for muito novo, você ainda não estará emocionalmente bem formado para namorar. Ok, eu sei que não estaremos até os 30, ou 40, ou… estaremos um dia? Acho que não. Mesmo assim, você é o menos estável de todos. Ou você acredita que já é maduro o suficiente para amar uma mulher como Cristo ama a Igreja ou servir a um homem como uma Igreja sever a Cristo (Ef 5:22,25)? É irresponsável dedicar-se e se prender emocionalmente de um modo tão forte a alguém estando com seus sentimentos ainda em formação. Você vai acabar sofrendo ou fazendo outra pessoa sofrer – e sofrer assim nesta idade não é muito bom para a formação das emoções. Lembre-se, leitor, do fato de que muitos casam cedo demais por vários motivos (por terem tido concebido uma criança, por rebeldia contra os pais, pressão familiar ou desejo de sair de casa) e depois não possuem a maturidade emocional para levar até o fim esse desafio, o que resulta nessa massiva onda de divórcios que temos neste país. Por que não esperar você estar mais bem formado interiormente para seguir algo tão sério como um namoro?

2. O motivo psicológico;

Com muito tempo de namoro, você vai passar por lutas e dores psicológicas que podem ir além de sua capacidade de suportar. Esse ponto se manifesta de maneira diferente com os homens e com as mulheres. Homem, você vai, por exemplo, ficar deprimido por estar namorando há cinco anos e ainda não poder dar para sua namorada o casamento que ela tanto sonha. Alguns homens que conheço (assim como eu) sofreram isso e, vá por mim, às vezes é excruciante. Mulheres, vocês passarão horas olhando vestidos de noivas na internet e chorando com o casamento de suas amigas. Por quê? Por que já está namorando faz oito anos, está louca para casar com a pessoa que você ama, mas não pode, pois são muito novos e não têm recursos para tal. Claro, não são esses as únicas crises psicológicas que afligirão vocês, mas são exemplos comuns. Esteja atento, também, que quando uma pessoa namora, todo seu corpo e sua alma começam a configurar-se para o matrimônio, para a sexualidade e para a interdependência. Manter essa tensão emocional e física por muito tempo faz desfalecer a alma, como diz Provérbios 13: “A esperança adiada desfalece o coração…” (v. 12). Não quer passar por isso? Simples, espere o tempo certo para namorar e evite ter crises constantes que, se não for a graça de Deus, poderão te deixar arrasado(a).

3. O motivo acadêmico/profissional;

Seria bom pararmos de negligenciar o provérbio que diz: “Termine primeiro o seu trabalho a céu aberto; deixe pronta a sua lavoura. Depois constitua família” (Pv 24:27). A Bíblia deixa claro que devemos primeiro cuidar de nosso trabalho, devemos deixar pronta a nossa lavoura, antes de constituirmos uma família. Se negligenciarmos esse dito bíblico… sabe aquele seu mestrado de dois anos na França ou seu Doutorado de quatro anos no Japão? Esqueça. Você não vai conseguir passar tanto tempo longe da pessoa que você tanto ama – mas você é apaixonado por sua profissão e deseja, muito, se especializar! O que fazer? A menos que você faça isso depois de algum tempo de casado e/ou sendo bem remunerado para estudar, você ou termina seu namoro ou desiste dos estudos. Ou, em último caso, namora a distancia por uma infinidade de tempo, sofrendo e fazendo a outra pessoa sofrer. Ou então, você deixa para namorar depois de passar por essas fases, evitando sofrimento desnecessário e se qualificando de acordo com seus planos.

4. O motivo ministerial;

Com raríssimas exceções, você ainda não sabe se será chamado para o ministério ou não. Então, considere que em poucos anos você é capacitado por Deus para ser um pregador razoável e sente ardendo dentro de você um repúdio por estudar qualquer outra coisa e uma chama por se dedicar à teologia, ao ensino e ao cuidado. Você quer largar o estágio, largar a universidade e ir fazer um seminário. Acredito que essa seria uma linda história de dedicação ao evangelho. Pena que você tem uma namorada que ama muito e luta para casar com ela. Você ficará, como dizem, entre a cruz e a espada. No fim das contas, ou você deixa para traz sua namorada para perseguir o ministério ou você adia seus estudos e suas preparações. Como Paulo ensina, os solteiros podem dedicar-se mais intensamente à obra do Senhor (cf. I Co 7:32). Saiba, este mesmo texto de Coríntios deixa claro que o casado deve buscar agradar o cônjuge. É antibíblico negligenciar a família para fazer missões ou algo parecido. Receba sua juventude como um momento propício para dedicar-se ao Senhor de um modo que você não poderá namorando ou casado – se não: passar dois anos na África pregando o evangelho? É bom desistir… ou então, você deixa para namorar depois que tiver alguma luz sobre o caminho que deve traçar.

5. O motivo sexual.

Embora eu sempre o apresente por último, é provável que ele seja o mais forte. Namorar cedo é pecado? Não. Mas te levará ao pecado tão certamente que deveria ser considerado quase que como tal. Eu aconselho vários casais e já conversei sobre isso com incontáveis grupos e apenas um casal de todos eles nunca pecou um com o outro em nenhum nível antes de um ano de namoro (e, segundo amigos que também aconselham casais, sou abençoado por achar pelo menos um). Entenda, pecar sexualmente com sua(eu) namorada(o) é um dos pecados mais horríveis e devastadores de todos. A maioria dos homens que duvidam de sua salvação aponta pecados sexuais com a namorada como principal fator disto. Além do mais, se devemos amar nossas esposas (consequentemente, nossas namoradas) como Cristo amou a Igreja (Ef 5:25), devemos seguir o exemplo de Cristo, que morreu para que sua noiva seja “sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Ef 5:27). Morra para que sua namorada seja livre de todo pecado sexual: deixe para namorar apenas quando você estiver, em algum nível, próximo de ter condições para levá-la ao altar, em matrimônio.
Claro, dependendo do caso e do casal, um motivo pesará mais que outro; mas, ainda assim, todos esses pontos acabarão ferroando-os de algum modo. Por isso, acredito que namorar cedo não é uma boa ideia. Embora eu ame minha futura esposa, eu sei que fui um garoto imaturo em namorar ela ainda com meus 15 anos. Louvo a Deus por me ajudar em meu erro e nos ajudar, dia após dia, a crescer em santidade.
Um ponto a mais precisa ser considerado: o que define um namoro como precoce? Qual seria a idade ideal para isto? 18, 20, 25 anos? A Bíblia não diz nada sobre isso, logo, não há uma regra. Porém, aqui vão alguns pontos úteis para saber se você é muito jovem ou não para namorar:
1. Vai demorar a poder casar?
Se sim, provavelmente você é muito novo. Lembre, porém, que isso é relativo. Algumas pessoas, como certos estudantes de medicina, por exemplo, só poderão casar perto dos trinta anos; enquanto outros, como alguns militares, podem tranquilamente casar aos 20 (casos reais). Ore, estude seus planos e veja se você poderá casar em pouco tempo (alguns anos, preferencialmente).
2. Ainda precisa crescer muito em maturidade?
Falo sobre maturidade na fé e como pessoa mesmo. Pergunte a amigos cristãos maduros sobre seu próprio caráter e testemunho. Aceite as orientações deles e cresça em Deus. Se você não cuida de si, como pensa que cuidará de outro?
3. Muita incerteza quanto ao futuro?
Você não faz a menor ideia de como será a sua vida no futuro? Não sabe se quer ser astronauta ou enfermeiro? Se quer morar no Brasil ou no Iraque? Se quer morrer pregando para os canibais ou se quer ser tesoureiro da igreja? Então pare, ore, espere em Deus e, depois de ter alguma luz divina sobre temas como esses, pense em namorar.
Quando eu comecei a namorar, eu não passava em nenhum dos pontos deste teste. Sofri muito com os cinco pontos que apresentei a pouco e até hoje luto de várias formas contra eles. Luto contra todos os tipos de pecados sexuais, luto contra problemas emocionais e psicológicos, luto contra algumas questões ministeriais, acadêmicas e profissionais. Eu sei como isso é complicado e vários amigos chegados dizem amém para essas poucas considerações sobre namoro, já que passaram por fatos idênticos. Espero que você não precise passar por tudo isso, e se passar (ou estiver passando), que Deus te dê toda a força para manter-se firme nEle e viver seu namoro na graça do Pai.
Uma consideração final: se você é muito jovem e já namora, não acho que terminar seu namoro por causa destes pontos seja uma boa ideia. Como eu disse, namorar cedo não é pecado em si mesmo, embora seja problemático e possa levá-lo a pecar. Então, entregue seu relacionamento a Deus e lute para vivê-lo de acordo com as Escrituras. Sofra o que precisar sofrer, perca o que precisar perder, lute o que precisar lutar. Ame a pessoa que você ama e perca tudo por ela – quer seja estudo, dinheiro, ministério ou qualquer coisa. Porém, fique ciente do que virá pela frente e aguente tudo na força de Deus. Se você tem pecado contra Deus em seu namoro ou tem sofrido alguns dos problemas que citei aqui, olhe para a cruz dAquele que levou todo o seu pecado e confie na Graça de Deus para te purificar e te manter santo*. Se você não namora ainda, ore a Deus, medite nestes pontos e, vai por mim, espere o momento mais propício para namorar. Como Disse Cristo, “… qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar?” (Lc 14:28). Medite bem se esse é o momento certo para um namoro. Há tempo para tudo debaixo do sol, tudo tem um tempo determinado (cf. Ec 3) – Deus enviará seu parceiro(a) no tempo dEle (cf. Pv 19:14).
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* Se você namora precocemente, sugiro a leitura deste outro texto: “Carta a um Jovem com Problemas Sexuais”.
Por Yago Martins © Voltemos ao Evangelho.
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FONTE: http://voltemosaoevangelho.com