sábado, 29 de outubro de 2011

PAULO CESAR BARUK - AS 15 MAIS (2011)


01.. Quando Entro em tua presença

02.. Confiar em ti

03.. Quanto amor

04.. Te amo tanto

05.. Prostado (Luciano Claw)

06.. Reina em mim

07.. Viver em Comunhão

08.. Dependo de ti

09.. Mais que uma voz

10.. Jardim da inocência

11.. O meu querer

12.. Filho de Deus

13.. Eu corro pra tu

14.. Rei das nações

15.. Galhos secos (Leandro Domingues)

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NAMORO PRECOCE - POR YAGO MARTINS


Quando eu aconselho jovens que já namoram ou que querem começar a namorar, eu costumo falar sobre cinco motivos para evitarmos entrar muito cedo em um relacionamento deste tipo – todos retirados de minha experiência pessoal.

1. O motivo emocional;

Se você for muito novo, você ainda não estará emocionalmente bem formado para namorar. Ok, eu sei que não estaremos até os 30, ou 40, ou… estaremos um dia? Acho que não. Mesmo assim, você é o menos estável de todos. Ou você acredita que já é maduro o suficiente para amar uma mulher como Cristo ama a Igreja ou servir a um homem como uma Igreja sever a Cristo (Ef 5:22,25)? É irresponsável dedicar-se e se prender emocionalmente de um modo tão forte a alguém estando com seus sentimentos ainda em formação. Você vai acabar sofrendo ou fazendo outra pessoa sofrer – e sofrer assim nesta idade não é muito bom para a formação das emoções. Lembre-se, leitor, do fato de que muitos casam cedo demais por vários motivos (por terem tido concebido uma criança, por rebeldia contra os pais, pressão familiar ou desejo de sair de casa) e depois não possuem a maturidade emocional para levar até o fim esse desafio, o que resulta nessa massiva onda de divórcios que temos neste país. Por que não esperar você estar mais bem formado interiormente para seguir algo tão sério como um namoro?

2. O motivo psicológico;

Com muito tempo de namoro, você vai passar por lutas e dores psicológicas que podem ir além de sua capacidade de suportar. Esse ponto se manifesta de maneira diferente com os homens e com as mulheres. Homem, você vai, por exemplo, ficar deprimido por estar namorando há cinco anos e ainda não poder dar para sua namorada o casamento que ela tanto sonha. Alguns homens que conheço (assim como eu) sofreram isso e, vá por mim, às vezes é excruciante. Mulheres, vocês passarão horas olhando vestidos de noivas na internet e chorando com o casamento de suas amigas. Por quê? Por que já está namorando faz oito anos, está louca para casar com a pessoa que você ama, mas não pode, pois são muito novos e não têm recursos para tal. Claro, não são esses as únicas crises psicológicas que afligirão vocês, mas são exemplos comuns. Esteja atento, também, que quando uma pessoa namora, todo seu corpo e sua alma começam a configurar-se para o matrimônio, para a sexualidade e para a interdependência. Manter essa tensão emocional e física por muito tempo faz desfalecer a alma, como diz Provérbios 13: “A esperança adiada desfalece o coração…” (v. 12). Não quer passar por isso? Simples, espere o tempo certo para namorar e evite ter crises constantes que, se não for a graça de Deus, poderão te deixar arrasado(a).

3. O motivo acadêmico/profissional;

Seria bom pararmos de negligenciar o provérbio que diz: “Termine primeiro o seu trabalho a céu aberto; deixe pronta a sua lavoura. Depois constitua família” (Pv 24:27). A Bíblia deixa claro que devemos primeiro cuidar de nosso trabalho, devemos deixar pronta a nossa lavoura, antes de constituirmos uma família. Se negligenciarmos esse dito bíblico… sabe aquele seu mestrado de dois anos na França ou seu Doutorado de quatro anos no Japão? Esqueça. Você não vai conseguir passar tanto tempo longe da pessoa que você tanto ama – mas você é apaixonado por sua profissão e deseja, muito, se especializar! O que fazer? A menos que você faça isso depois de algum tempo de casado e/ou sendo bem remunerado para estudar, você ou termina seu namoro ou desiste dos estudos. Ou, em último caso, namora a distancia por uma infinidade de tempo, sofrendo e fazendo a outra pessoa sofrer. Ou então, você deixa para namorar depois de passar por essas fases, evitando sofrimento desnecessário e se qualificando de acordo com seus planos.

4. O motivo ministerial;

Com raríssimas exceções, você ainda não sabe se será chamado para o ministério ou não. Então, considere que em poucos anos você é capacitado por Deus para ser um pregador razoável e sente ardendo dentro de você um repúdio por estudar qualquer outra coisa e uma chama por se dedicar à teologia, ao ensino e ao cuidado. Você quer largar o estágio, largar a universidade e ir fazer um seminário. Acredito que essa seria uma linda história de dedicação ao evangelho. Pena que você tem uma namorada que ama muito e luta para casar com ela. Você ficará, como dizem, entre a cruz e a espada. No fim das contas, ou você deixa para traz sua namorada para perseguir o ministério ou você adia seus estudos e suas preparações. Como Paulo ensina, os solteiros podem dedicar-se mais intensamente à obra do Senhor (cf. I Co 7:32). Saiba, este mesmo texto de Coríntios deixa claro que o casado deve buscar agradar o cônjuge. É antibíblico negligenciar a família para fazer missões ou algo parecido. Receba sua juventude como um momento propício para dedicar-se ao Senhor de um modo que você não poderá namorando ou casado – se não: passar dois anos na África pregando o evangelho? É bom desistir… ou então, você deixa para namorar depois que tiver alguma luz sobre o caminho que deve traçar.

5. O motivo sexual.

Embora eu sempre o apresente por último, é provável que ele seja o mais forte. Namorar cedo é pecado? Não. Mas te levará ao pecado tão certamente que deveria ser considerado quase que como tal. Eu aconselho vários casais e já conversei sobre isso com incontáveis grupos e apenas um casal de todos eles nunca pecou um com o outro em nenhum nível antes de um ano de namoro (e, segundo amigos que também aconselham casais, sou abençoado por achar pelo menos um). Entenda, pecar sexualmente com sua(eu) namorada(o) é um dos pecados mais horríveis e devastadores de todos. A maioria dos homens que duvidam de sua salvação aponta pecados sexuais com a namorada como principal fator disto. Além do mais, se devemos amar nossas esposas (consequentemente, nossas namoradas) como Cristo amou a Igreja (Ef 5:25), devemos seguir o exemplo de Cristo, que morreu para que sua noiva seja “sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Ef 5:27). Morra para que sua namorada seja livre de todo pecado sexual: deixe para namorar apenas quando você estiver, em algum nível, próximo de ter condições para levá-la ao altar, em matrimônio.
Claro, dependendo do caso e do casal, um motivo pesará mais que outro; mas, ainda assim, todos esses pontos acabarão ferroando-os de algum modo. Por isso, acredito que namorar cedo não é uma boa ideia. Embora eu ame minha futura esposa, eu sei que fui um garoto imaturo em namorar ela ainda com meus 15 anos. Louvo a Deus por me ajudar em meu erro e nos ajudar, dia após dia, a crescer em santidade.
Um ponto a mais precisa ser considerado: o que define um namoro como precoce? Qual seria a idade ideal para isto? 18, 20, 25 anos? A Bíblia não diz nada sobre isso, logo, não há uma regra. Porém, aqui vão alguns pontos úteis para saber se você é muito jovem ou não para namorar:
1. Vai demorar a poder casar?
Se sim, provavelmente você é muito novo. Lembre, porém, que isso é relativo. Algumas pessoas, como certos estudantes de medicina, por exemplo, só poderão casar perto dos trinta anos; enquanto outros, como alguns militares, podem tranquilamente casar aos 20 (casos reais). Ore, estude seus planos e veja se você poderá casar em pouco tempo (alguns anos, preferencialmente).
2. Ainda precisa crescer muito em maturidade?
Falo sobre maturidade na fé e como pessoa mesmo. Pergunte a amigos cristãos maduros sobre seu próprio caráter e testemunho. Aceite as orientações deles e cresça em Deus. Se você não cuida de si, como pensa que cuidará de outro?
3. Muita incerteza quanto ao futuro?
Você não faz a menor ideia de como será a sua vida no futuro? Não sabe se quer ser astronauta ou enfermeiro? Se quer morar no Brasil ou no Iraque? Se quer morrer pregando para os canibais ou se quer ser tesoureiro da igreja? Então pare, ore, espere em Deus e, depois de ter alguma luz divina sobre temas como esses, pense em namorar.
Quando eu comecei a namorar, eu não passava em nenhum dos pontos deste teste. Sofri muito com os cinco pontos que apresentei a pouco e até hoje luto de várias formas contra eles. Luto contra todos os tipos de pecados sexuais, luto contra problemas emocionais e psicológicos, luto contra algumas questões ministeriais, acadêmicas e profissionais. Eu sei como isso é complicado e vários amigos chegados dizem amém para essas poucas considerações sobre namoro, já que passaram por fatos idênticos. Espero que você não precise passar por tudo isso, e se passar (ou estiver passando), que Deus te dê toda a força para manter-se firme nEle e viver seu namoro na graça do Pai.
Uma consideração final: se você é muito jovem e já namora, não acho que terminar seu namoro por causa destes pontos seja uma boa ideia. Como eu disse, namorar cedo não é pecado em si mesmo, embora seja problemático e possa levá-lo a pecar. Então, entregue seu relacionamento a Deus e lute para vivê-lo de acordo com as Escrituras. Sofra o que precisar sofrer, perca o que precisar perder, lute o que precisar lutar. Ame a pessoa que você ama e perca tudo por ela – quer seja estudo, dinheiro, ministério ou qualquer coisa. Porém, fique ciente do que virá pela frente e aguente tudo na força de Deus. Se você tem pecado contra Deus em seu namoro ou tem sofrido alguns dos problemas que citei aqui, olhe para a cruz dAquele que levou todo o seu pecado e confie na Graça de Deus para te purificar e te manter santo*. Se você não namora ainda, ore a Deus, medite nestes pontos e, vai por mim, espere o momento mais propício para namorar. Como Disse Cristo, “… qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar?” (Lc 14:28). Medite bem se esse é o momento certo para um namoro. Há tempo para tudo debaixo do sol, tudo tem um tempo determinado (cf. Ec 3) – Deus enviará seu parceiro(a) no tempo dEle (cf. Pv 19:14).
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* Se você namora precocemente, sugiro a leitura deste outro texto: “Carta a um Jovem com Problemas Sexuais”.
Por Yago Martins © Voltemos ao Evangelho.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

FONTE: http://voltemosaoevangelho.com


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Por que Deus quer que cantemos? Bob Kauflin



www.voltemosaoevangelho.com

Glorificar a Deus para sempre - Thomas Watson


                                                                                       www.audivel.com

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

FERNANDO BARROS - AVIVA-ME (2011)


01 Aviva-me.mp3
02 Com minha fé.mp3
03 Eu creio em tuas promessas.mp3
04 Pão da vida.mp3
05 Tal ciencia.mp3
06 Mais que vencedor.mp3
07 O mundo eu não quero mais.mp3
08 Sacrificio vivo.mp3
09 Aviva-me (playback).mp3

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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

SACRIFÍCIO CRISTÃO RADICAL - John Piper



http://voltemosaoevangelho.com

terça-feira, 26 de julho de 2011

FERNANDINHO - SOU FELIZ (2011)



01. Sou Feliz
02. Chuvas de Bençãos
03. Rude Cruz
04. Grandioso És Tú
05. Tocou-me
06. Alvos Mais Que a Neve
07. Avivamento
08. Tudo Entregarei
09. Tú és Fiel
10. Céu, Lindo Céu
11. Firme Nas Promessas
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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Ministério Sarando a Terra Ferida - (2011)


01. Melodia Celestial
02. Espírito Santo
03. Misericórdia
04. Leva-Me a Damasco
05. No Teu Altar
06. O Que o Olho Não Viu
07. Sai em Nome de Jesus
08. Esperar no Senhor
09. Elevado Seja
10. Me Dou ao Teu Amor
11. Vou me Banquetear
12. Shekinah

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terça-feira, 5 de julho de 2011

A Loucura da Cruz, os Direitos Humanos e a Liberdade de Expressão


1 - A Sedução do relativismo:

Vivemos em tempos em que as pessoas não gostam de ser importunadas ou confrontadas com certas questões. Alguns temas que tocam nossa vida diária, não podem mais ser abordados sem que se corra o risco de ofender uma consciência aqui e ali; afinal, alguns argumentam, esses assuntos incômodos encontram-se em um campo de conceitos subjetivos, submetidos ao crivo do particular. Ou seja, o que é para mim poderá não sê-lo para você. Aliás, essa é a principal característica de nossos tempos: relativismo. Tudo é relativo.

Nas últimas décadas, essa mentalidade tem alcançado a igreja. Hoje em dia, um outro evangelho tem sido anunciado. Um evangelho “light”, que não custa nada. Um evangelho tolerante, amigável, inclusivo e fácil. Assim, os púlpitos estão sendo esvaziados e não sobra espaço para se abordar temas considerados controversos e ultrapassados. O evangelho de hoje removeu o escândalo da cruz; não tem justiça, arrependimento, sacrifício, entrega, auto-negação, as virtudes da lei, graça... O resultado dessa tendência é o sério comprometimento doutrinário. Várias doutrinas fundamentais, como as que mencionei, passam a ser questionadas ou reconstruídas com base em filosofias e pressupostos estranhos às Escrituras e à ortodoxia cristã.

Por outro lado, a agenda evangélica tem sido cada vez mais ocupada por assuntos do momento – via de regra, de cunho ecológico, social, filosófico, enfim. Os proponentes desta nova agenda evangélica, articulistas, escritores, apóstolos e pastores, televangelistas, ao abandonarem a Escritura para lidar com as questões da vida e do momento, precisam cooptar com ideologias estranhas ao cristianismo, via de regra com viés político esquerdista e com as novas hermenêuticas que as filosofias pós-modernas têm proposto, oferecendo suas fórmulas como panacéia dos males mais profundos de que padece a humanidade – ignorando que a Queda e seus efeitos é que de fato causam a mais abissal miséria do homem e que a única restauração se dá pelo genuíno evangelho do Senhor Jesus Cristo.

Mas, uma das características mais marcantes dos proponentes desta nova agenda entre o povo evangélico, é a força de sua propaganda e a virulência de sua beligerância – intolerantes em nome da tolerância, não aceitam o contraditório e rejeitam o debate na arena bíblica. A defesa da fé é reputada como conduta reacionária e fundamentalista, ao arrepio das Escrituras e de cartas bíblicas como a de Judas.

O politicamente correto em que vivemos, parece ser incompatível com a velha idéia de buscar a orientação da Escritura para “ver se as coisas são mesmo assim”.

Isso tudo se constitui num grande desafio para o cristão sincero hoje. Precisamos reaprender a pensar biblicamente e a submeter as questões mais complexas da vida ao crivo das Escrituras – no melhor espírito da nobreza bereana.

2 - A loucura da mensagem cristã:

Mas nos enganamos se achamos que esse é um problema atual. Quando pensamos no evangelho da cruz, somos logo lembrados da controvérsia que envolveu a pregação do apóstolo Paulo em Corinto.

Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus. Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos instruídos. Onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo? Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação.

Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.

Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus.

Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.

(1 Coríntios 1.18-31)


Paulo está falando aqui não do ato de pregar, mas do conteúdo da pregação. O verso 18 fala da “palavra da cruz” como sendo loucura.

O conteúdo do evangelho era escandaloso então e ainda o é hoje.

A “palavra da cruz” era escandalosa aos judeus e gentios porque naquela sociedade não fazia sentido a morte estúpida e violenta de um herói. A imagem de Cristo crucificado – a pregação de Paulo – era incompatível com a idéia judaica de um Messias que estabeleceria um reino político, visível, poderoso e glorioso. Mas a idéia de um Messias na cruz era quase blasfema para um judeu.

Para o gentio era loucura um herói morto como um bandido na cruz. Para o gentio, a mensagem da cruz era algo tolo, um contra-senso.

D. A. Carson, ao analisar essa passagem, demonstra que o ponto do apóstolo Paulo é que nenhuma filosofia ou cosmovisão – seja da antiguidade ou de nossos dias – terá algum valor se seu cerne não for a cruz de Cristo – escândalo para os judeus, loucura para os gentios. Mas, nem toda sabedoria humana era insuficiente para salvar o homem do pecado – assim como hoje nada, absolutamente nada, a não ser a mensagem de Cristo – e este crucificado – pode alcançar o coração do homem. Sem a cruz, haverá ou idolatria, ou legalismo. É a loucura da pregação da mensagem da cruz que tem o poder de redimir.

E Paulo é muito assertivo ao definir a mensagem da Cruz como o poder de Deus [dinamis]. A mesma palavra que ele usa em Romanos 1.16. Poder aqui tem um sentido muito intenso – é o mesmo tipo de poder que Deus usou para criar o universo [Hb. 1-3]. A idéia aqui é demonstrar a nossa incapacidade de nos salvarmos e a necessidade da ação do próprio Deus em nossa redenção.

O verdadeiro evangelho implica a necessidade da regeneração, do novo nascimento – como Jesus ensina em João 3. Envolve o arrependimento, a auto-negação, o abandono deliberado e resoluto de nossos vícios e pecados, a fé e a obediência, a novidade de vida – luta diária contra a carne, o mundo e o diabo – o despir-se do velho homem e o revestir-se do novo homem, a adoração verdadeira, o fim da idolatria – da auto-idolatria, movido pelo orgulho e pelo ego inflamado e ensimesmado, a santidade – separação dos valores deste mundo, da mentalidade do mundo, e o dirigir de nossos afetos, de nossa mente e coração para Deus.

E não tem outro jeito. O Espírito só opera pela loucura da pregação (Rm. 10.17). Se você não experimentou essas coisas, não há boas novas para você. As boas novas só são boas quando nos levam à cruz de Cristo, que é onde encontramos o perdão de nossos pecados, somos redimidos, resgatados, propiciados, declarados justos, adotados e santificados.

Quero propor então, para todos nós, o retorno ao evangelho da cruz. Fazer isso, todavia, envolverá lutas e disposição ao sacrifício – dentro da própria igreja, cuja mentalidade está muito afetada pelos valores do presente século e em nossa sociedade, que vive uma fase pós cristã – em que rejeita e opõe-se, deliberadamente, a tudo que a fé cristã ensina e conquistou ao longo dos séculos.

3 - A relação entre a fé individual e o estado:

Neste ponto, desejo propor como podemos expressar nossa fé – nossa pregação que é louca e ofensiva – neste mundo pluralista e relativista em que vivemos.

No Brasil, vivemos em uma sociedade organizada, democrática.

A relação entre a fé e o estado tem sido sempre uma questão conturbada. Difícil.

Expressar nossa fé ofensiva nos dias de hoje, no Brasil, é algo que tem causado incômodo a vários setores da sociedade. Via de regra aqueles de caráter libertário e libertino – que não podem aceitar o elevado padrão moral imposto pela fé cristã. Não raro, temos visto casos de pastores e mesmo crentes serem censurados por sua fé – quando afirma, por exemplo, que a prática e comportamento homossexual é pecado e que deve ser abandonado, ou quando afirmam que o aborto é homicídio, aos olhos de Deus [e mesmo aos olhos de uma sociedade sensata], quando dizem que, segundo as Escrituras, Deus criou homem e mulher essencialmente iguais, em dignidade e valor, mas diferentes quanto aos seus propósitos e função na economia familar. Até mesmo questões envolvendo o comportamento sexual tem sido alvo de perseguições – quando a pornografia, o adultério, a promiscuidade, a indecência, etc são nomeadas como ofensas, pecados grosseiros, e anomalias – atos que comprometem e colocam em xeque a primeira instituição fundada por Deus, a família – há então perseguição, linchamento moral, intimidação e, vejam só, ultimamente até mesmo processos na justiça.

Isso tem acontecido diante de nossos olhos e temos feito pouco para combater esse comportamento vil e ilegal.

O cristão, às vezes, tem a tendência de se deixar martirizar – como se o martírio fosse enaltecer a causa do evangelho. Bem, ainda que sejamos “bem aventurados” quando somos injuriados pelo nome de Cristo [Mt. 5.11,12], somos também “bem aventurados” quando temos “fome e sede de justiça” Precisamos entender a “fome e sede de justiça” como sendo aquela que tem a ver com retidão e equidade, a justiça que veremos no mundo vindouro e idealizamos hoje, no mundo onde peregrinamos. A justiça que o estado tem o dever de promover, para o convívio pacífico da sociedade (Rm. 13).

É bom lembrar que o conceito de justiça enquanto eqüidade nas relações entre os homens – mediada pelo estado – é algo muito presente nas Escrituras, não só nas narrativas, mas como um princípio teológico. Vemos esse conceito em Romanos 13 e também o vemos na conduta de Paulo, quando usa sua cidadania romana como um instrumento de direito e reclama reparação moral e pública pelo julgamento, sentença e pena injustas que recebeu em Filipos [Atos 16.19-40], ainda quando questiona a pena que queriam infligir-lhe [de açoites] sem um julgamento justo em Jerusalém [Atos 22.25-30] e ainda sua defesa diante do governador [e juiz] Felix [Atos 24.10-21] também diante de Festo e Agripa e, mais adiante, usando a estrutura jurídica de sua época e o direito que lhe cabia, apelou ao imperador, a César [Atos 25].

Vemos no exemplo e mesmo nos princípios das Escrituras o dever de andarmos com retidão em nossa sociedade, sendo luz e exemplos de nosso proceder diante do ímpio e usando a espada e o poder do estado para promover a justiça e a eqüidade.

Como cristãos, temos o dever de afirmar a nossa fé com liberdade e a usarmos – como fez o apóstolo Paulo – o direito divino (contemplado e assimilado pelas leis) para defender nossa fé, nossa dignidade, nossa liberdade, nossa consciência e o direito que temos de proclamar e expressar o que cremos.

4 - O direito no Brasil e a expressão de nossa fé:

Assim sendo, em que pese as tensões existentes nesta difícil relação, é bom termos ciência de que legislação brasileira recepciona em sua carta magna, a constituição, e mesmo na legislação infraconstitucional os preceitos fundamentais do direito do homem, do ser humano, presentes na declaração universal dos direitos humanos.

O preâmbulo da declaração dos direitos humanos da ONU, elaborada em sua fundação em 1948, preceitua que:

“Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,

Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os todos gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do ser humano comum,

Considerando ser essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo império da lei, para que o ser humano não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão...”

E, em seus artigos XVIII e XIX, estabelece o seguinte:

Artigo XVIII.

Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, em público ou em particular.

Artigo XIX.

Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

No Brasil, todas as constituições, desde da República de Rui Barbosa, Deodoro da Fonseca e Joaquim Nabuco, em 1891, há a proteção da consciência religiosa. Mesmo a as constituições dos regimes de exceção, em 1937 e em 1964, ainda que as liberdades de imprensa e de expressão tenham sido cerceadas, a liberdade de consciência religiosa foi preservada. A atual constituição, a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, fazendo coro com a declaração dos direitos humanos, em sua seção Dos Direitos e Garantias Fundamentais [e é importante termos essas definições em mente] , diz o seguinte no caput de seu artigo 5º:

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes”

VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;

VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

A Lei constitucional é a primeira e principal lei da nação. Todas as demais leis estão sob seu espectro e autoridade. A inviolabilidade da consciência implica o direito de expressar com liberdade o que cremos. O inciso VIII estabelece que nossas crenças não podem servir de subterfúgio para que sejamos privados de qualquer direito – principalmente o direito de expressá-la – além ainda do artigo VIII que estabelece a liberdade de expressão.

Na constituição, vemos ainda o seguinte:

No código penal brasileiro, por sua vez, no artigo 140, o tipo penal criminaliza a injúria contra o credo religioso:

Art. 140: Injúria
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem:

E o artigo 208 foi elaborado especificamente para tratar sobre a liberdade de cultuar:

208: Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objetos de culto religioso:
Pena: Detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano, ou multa.
Parágrafo único: se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente à violência

Se a lei protege a consciência religiosa, chamando-a de ‘inviolável’ e fundamental, é uma inferência lógica – apoiada pela doutrina jurídica – que a expressão desta fé é igualmente inviolável e fundamental.

A constituição ainda aplica o princípio audiatur et altera pars, que quer dizer “ouça-se também a outra parte”, também conhecido como princípio da ampla da defesa e do contraditório. Isso significa que temos ao nosso dispor todos os meios legais de defesa disponível, no caso de algum desses direitos básicos serem violados – mesmo que pelo próprio estado.

5 - Conclusão:

A fé cristã é ofensiva – sempre foi e sempre será. Sempre haverá uma tensão entre afirmá-la, praticá-la e, ao mesmo tempo, viver no meio de uma sociedade que a rejeita e a odeia.

Temos o dever de dar o testemunho da verdade neste mundo de trevas. Isto envolve dizermos e fazermos aquilo que a Escritura sagrada ensina – no campo ético, moral, relacional – amando ao próximo, respeitando a vida, vivendo com integridade, retidão, honestidade – estabelecendo famílias fortes e igrejas centradas em Deus e na Palavra. Isso será o contraponto da irracionalidade e insensatez que envolvem este mundo tenebroso.

Temos de confrontar esta anarquia de pensamentos e tendências que caracterizam nosso século com o ensino da Palavra e uma conduta que seja condizente com este ensino.

O estado, por sua vez, tem a obrigação e dever de estender a espada da justiça e equidade aos cristãos – e fazemos bem em utilizar essa espada. Não temos de nos refugiar nas cavernas e catacumbas. Temos de afirmar com fé, coragem e ousadia nossa convicção cristã e impor ao estado, pelos meios legítimos, que use a espada não para perseguir cristãos por conta de sua consciência, mas para promover a paz e a equidade. O direito de consciência religiosa é um direito sagrado, dado por Deus. O estado que o rejeita está contrariando sua vocação – e deve ser, nesse caso, confrontado.

Copyright© 2011 Tiago Santos e Editora FIEL.

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

Tiago J. Santos Filho é bacharel em direito e mestrando (M.Div) em Teologia Sistemática pelo instituto de pós-graduação Andrew Jumper da universidade Mackenzie. É membro da Igreja Batista da Graça onde auxilia como pregador e professor. É editor-chefe e o atual presidente do conselho da Comunhão Reformada Batista no Brasil. Casado com Elaine e pai de três filhos: Tiago, Gabriel e Rebeca.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

PAULO ROGÉRIO - Mais que vencedor (2011) Ao vivo



01 Eu Livre sou
02 Estou aqui
03 Mais que Vencedor
04 Fonte de Eterna Luz
05 A Alegria do Senhor
06 Em Tuas Mãos
07 Dependo de Ti
08 Eu sou Teu (part. PC Baruk)
09 Das Trevas à Luz (part. Denise Bittencourt)
10 Deus é meu Pai
11 Totalmente Dependente
12 Não por Força (part. Michael McCurtis)

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segunda-feira, 13 de junho de 2011

CASSIANE E JAIRINHO - O amor está no ar (2011)



01. O Amor, Você e Eu
02. Coisas De Nós Dois
03. Papel de Bala
04. Romeu e Julieta
05. O Tempo
06. Inseparáveis
07. Postal
08. Nossa Melodia
09. Flores E Um Cartão
10. Nossos Votos
11. Tô Com Você
12. Família Nas Mãos De Deus

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sexta-feira, 22 de abril de 2011

A PAIXÃO DE CRISTO POR VOCÊ

ESCRAVIDÃO DA VONTADE - João Calvino



FONTE: www.vemvertvblog.com

MINISTÉRIO FILHOS BENDITOS - MONTE SIÃO (2011)


01. Ele Vem
02. Meu Amado
03. Monte Sião
04. Refúgio
05. Poderoso
06. Vivifica
07. Aguas
08. Honra e Glória
09. Salmo 23
10. Palavra Ministrada
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FONTE: www.maxgospel.net

segunda-feira, 18 de abril de 2011

SUMARA SANTOS - Basta uma palavra (2011)


01 Arquiteto Construtor
02 Basta Uma Palavra
03 Adore
04 Quem é Esse
05 Gloria Ao Poderoso
06 Derramar
07 Igreja Não é Circo
08 Tu és
09 Vai Chegar A Sua Vez
10 O Deus Dos Detalhes
11 Estação Do Amor
12 Estou Contigo
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FONTE: wwww.maxgospel.net

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

MINISTÉRIO INTIMIDADE - Novo tempo novo nível (2010)



1.Novo Nivel
2.Quero Subir
3.Intensamente Apaixonado
4.Novo Tempo
5.Com Amor E Compaixao
6.Tempo De Amores
7.Essencia
8.Teu Sangue
9.Justiça
10.Incomparavel



FONTE: http://alternativaweb10.blogspot.com/

sábado, 29 de janeiro de 2011

ISSO É GUERRA - Paul Washer




Por: Paul Washer. Website: heartcrymissionary.com
Tradução e Edição: Voltemos ao Evangelho.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que adicione as informações supracitadas, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

FONTE: http://voltemosaoevangelho.blogspot.com

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

THALLES - NA SALA DO PAI



01 Arde Outra vez
02 Pela Graça
03 Ele É Contigo
04 Deus Do Impossivel
05 Deus Da Minha Vida
06 Deus Da Força
07 Casa Do Pai
08 Amor Maravilhoso
09 Quero aprender com Jesus
10 Àguas Que Saram
11 Quero As àguas
12 Tudo Que Sonhei (Mas A Vida )
13 Eu Tenho Um Deus
14 Não Pare ,Não
Conheça mais sobre este CD (AQUI)

Download(Voz) Rapidshare
ou
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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

IRMÃO LÁZARO - Um Sentimento Novo (2010)





O novo CD do cantor Lázaro “Um Sentimento Novo” traz Lázaro de volta ao estilo que o consagrou, num culto ao vivo de adoração a Deus! Com banda e público totalmente envolvidos no projeto, o cantor resgata a atmosfera do cd "Testemunho e Louvor". Você conferi ainda mais um belo testemunho para edificar sua vida.


01.Naturalmente
02.Colorir de Amor
03.Vai Mudar
04.Contempla
05.Você vai Vencer
06.Conte a Deus
07.Povo de Deus
08.Ai de Mim
09.Sai de Cena
10.Mesmo Assim Te Louvarei
11.Um Sentimento novo
12.Testemunho
13.Testemunho
14.Testemunho
15.Amor de Verdade






Seja um exemplo cristão, se você gostou deste cd, procure uma revendedora mais próxima de sua casa e compre Cds originais. O MundoGoospel agradece a você que vive uma vida cristã em sua plenitude, obedecendo as leis civis e contribuindo com o ministério da música. OBS: Qualquer arquivo protegido por algum tipo de lei deve permanecer, no máximo, 24 horas em seu computador.

Fonte: www.mundogoospel.com

domingo, 19 de dezembro de 2010

RESPONSABILIDADE BIBLÍCA


por R. K. McGregor Wright

Talvez uma explicação calvinista do significado de responsabilidade ajude a clarear o problema. Devemos começar com uma definição: responsabilidade é simplesmente um sinônimo de “prestar contas”, e significa que devemos responder diante de Deus, o juiz, por nossas ações. Isso quer dizer que, se Deus nos chama para tratar de uma de nossas ações, ficamos moralmente obrigados a responder por ela diante de Deus. Somos “responsáveis” diante de Deus. Embora a Escritura não use o termo abstrato responsabilidade, o fato de que seremos finalmente chamados à juízo é frequentemente encontrado em toda a Escritura. A Bíblia baseia a responsabilidade em quatro coisas.

Primeira, somos responsáveis diante de Deus porque ele é o Criador e nós somos criaturas. Deus tem liberdade de chamar qualquer elemento de sua criação para responder diante dele a qualquer hora — é simplesmente sua prerrogativa como Senhor Soberano. O barro está sujeito ao Oleiro simplesmente porque ele é o Oleiro. Em outras palavras, nossa responsabilidade está baseada em nossa ontologia, ou em nosso ser, como criaturas. Esta é a mensagem de Jó, quando Deus lhe responde do meio do redemoinho (Jó 3 8.1 -4), e de Isaías, que contém uma longa polêmica contra aqueles que se esquecem do Criador a fim de adorar a criatura (40-57). Paulo sumariza os resultados dessa irresponsabilidade moral em Romanos 1. Ele empresta de Isaías (29.16; 45.9; 64.8), de Jeremias (18.1 -6) a imagem do Oleiro e do barro que ele usa em Romanos 9.21. No final, todos nós compareceremos perante o tribunal de Deus (Rm 14.10). No final, “todo joelho se dobrará” (Is 45.23).

Segunda, somos responsáveis diante de Deus porque ele é o ponto de referência moral para o que é certo e errado, e não nós próprios. Isso é o que é vinculado ao nosso reconhecimento de Deus como santo. Nossa responsabilidade diante de Deus é uma necessidade ética, por causa de nossa necessidade de um padrão fora de nós mesmos. Jó percebeu que como Deus é soberano sobre sua criação, ele também é justo permanecendo contra a pecaminosidade de Jó (40.1 -5; 42.1-6). Na verdade, Jó não havia feito nada para merecer o tratamento que recebeu de Deus. Ele havia sido mais reto do que seus amigos “confortadores”, e seu entendimento da situação foi mais teologicamente correto do que as explicações especulativas que eles ofereceram para os sofrimentos de Jó (1.22; 42.7). Mas o próprio Deus é o padrão moral tanto para ele próprio como para nós, como Eliú mostrou no capítulo 34. Portanto, Jó tinha de submeter-se inteiramente ao que Deus fez, tenha ele entendido a razão de tudo ou não. Nem o próprio Jó descobre o que o leitor do livro sabe — que Jó é realmente peça de um jogo bem maior, na grande disputa entre Deus e Satanás (1.6-12; 2.1-7). Deus não está obrigado a dizer-nos todas as coisas. Antes, o pequeno conhecimento que temos é um ato de misericórdia.

Terceira, somos responsáveis diante de Deus pelo conhecimento que temos. Todos os pecadores pecam (mais ou menos) contra a luz e a verdade. Ninguém é destituído totalmente da luz da consciência, e seremos julgados de acordo com a luz que temos (Rm 2.12-16). Aqueles que têm menos conhecimento serão julgados menos severamente do que aqueles que pecam com mais luz. Daniel adverte o rei Belsazar de que ele conhecia mais coisas a respeito dos tratos anteriores com Deus do que seu pai Nabucodonosor: “Tu, Belsazar, que és seu filho, não humilhaste o teu coração, ainda que sabias tudo isto” (Dn 5.22). Em Lucas, o servo ignorante que desobedeceu é punido menos severamente do que o servo que conhecia a vontade de seu senhor e, ainda assim, não fez a sua vontade (Lc 12.42-48). Assim, há graus de responsabilidade neste sentido. Podemos chamar isso de nossa responsabilidade epistemológica. Somos responsáveis pelo que conhecemos — poderia ser dito que há uma mordomia da verdade pela qual deveremos responder finalmente diante de Deus.

Quarto, somos responsáveis porque o propósito da criação é a glória de Deus (Is 43.7; Cl 1.16; Ap 4.11), e somos responsáveis como mordomos das bênçãos de Deus para cumprir o fim ou o propósito de Deus em criar-nos no mundo. Deus ama sua criação e finalmente “destruirá aqueles que destroem a terra” (Ap 11.18). Podemos nos referir a esta responsabilidade como sendo a responsabilidade teleológica, porque ela diz respeito à nossa tarefa como servos no desígnio da criação, que é a de trazer glória a Deus.

Parece, então, que longe de basear a responsabilidade humana em alguma teoria do livre-arbítrio inato no ser humano, a Bíblia baseia-a nas implicações da distinção entre o Criador e a criatura, e as relaciona com as quatro áreas clássicas da ontologia, ética, epistemologia e teleologia. Em outras palavras, por toda a Escritura, a responsabilidade é um reflexo de nossa relação com Deus como Criador, como a origem do significado moral, como nosso ponto de referência para a verdade revelada e como aquele que dá propósito e direção últimos à sua criação. E se Deus é, de fato, o ponto de referência máximo para o significado nas quatro áreas do ser, do conhecer, da ética e do propósito, onde poderia a criatura permanecer para elaborar uma crítica racional de qualquer coisa que Deus possa fazer? Esse é o ponto filosófico em que se baseia o desafio de Paulo em Romanos 9.20: “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?” Não há simplesmente nenhum ponto de partida disponível para um ser finito num universo finito. Para uma criatura, todos os pontos são relativos. Somente por ouvir primeiro a revelação de Deus pode um ser finito ter qualquer ponto de referência fixo. Este tópico será levantado novamente no capítulo 11, onde trataremos da questão da localização da referência suprema.

Fonte: A Soberania Banida, Editora Cultura Cristã, págs. 61-63.

http://monergismo.com

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

sábado, 4 de dezembro de 2010

O Sonho do Homem e o Projeto Deus - Marco Feliciano



Todos os seres humanos têm um dom. Penso eu, o maior dom, após receber o dom supremo da Salvação.

Um dom que, fiz questão de especificar, somente os seres humanos o possuem.

Os animais não possuem este dom, tão pouco os vegetais, menos ainda os elementos inanimados da natureza como: pedras, terra e água. Estou falando sobre o dom de sonhar!


Sim, sonhar!


A força-motriz dos vencedores, o combustível da sobrevivência, o gerador da fé.

Quem não sonha, não vive, infelizmente, apenas vegeta. Sonhar é bênção. Bênção esta destinada a todos os habitantes da Terra.



Fonte: httpp://alternativaweb10.blogspot.com

DOM E DETERMINAÇÃO (Nessa ordem)



por John Piper

Pergunta: Se Deus é Aquele que nos outorga diversas medidas de fé, devemos buscar uma fé maior?

Resposta: Sim! Com toda a nossa força! Por meio da oração, da Palavra, da comunhão e da obediência.

A fé é um dom de Deus. Romanos 12.3 diz: “Pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um”. Deus outorga a cada crente uma medida de fé. Efésios 2.8 afirma: “Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus”. A palavra “isto” se refere a todo o ato de Deus, incluindo a realização da obra de salvação na cruz e a sua aplicação por meio da fé. Filipenses 1.29 diz: “Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele”. Crer e padecer são dons de Deus. De modo semelhante, o arrependimento (o outro lado da fé) é chamado um dom de Deus (2 Tm 2.25; At 11.18). A revelação de Cristo ao coração torna possível a fé e também é um dom (Mt 16.17; 2 Co 4.4, 6).

Isto não significa que a fé é estática ou que não devemos buscá-la mais e mais. Em 2 Tessalonicenses 1.3, Paulo diz: “A vossa fé cresce sobremaneira, e o vosso mútuo amor de uns para com os outros vai aumentando”. Em 2 Coríntios 10.15, Paulo declara que tinha esperança de que fé daqueles crentes cresceria.

Portanto, é claro que a fé precisa crescer e não permanecer estática. O fato de que Deus lhe deu um nível de fé ontem não significa que a vontade dEle para hoje é que você tenha a mesma medida de fé. O propósito dEle para você hoje pode incluir uma fé muito maior. O seu mandamento é que confiemos nEle “em todo tempo” (Sl 62.8) e cresçamos “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pe 3.18).

Deus ordena o que quer e concede em medida aquilo que ordena. Mas devemos sempre buscar aquilo que Deus nos ordena. Ele manda: “Desenvolvei a vossa salvação... porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.12-13). Deus não disse: “Visto que eu efetuo, vocês não devem agir”. Ele disse: “Porque eu efetuo, vocês realizam”. O dom de Deus não substitui o nosso esforço, mas capacita-o e sustenta-o.

Afirmamos, juntamente com Paulo: “A sua graça [de Deus], que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei...” (1 Co 15.10). O dom da graça produziu o trabalho árduo. Não acontece de maneira contrária. Paulo disse mais: “Trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo”. O próprio trabalho de Paulo foi um dom da graça. Sim, isto se parece com o nosso esforço. É um esforço! Mas isto não é tudo. O esforço não é a raiz. Se é virtuoso, é Deus “quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”. Ele cumpre “com poder todo propósito de bondade e obra de fé” (2 Ts 1.11). Deus equipa com “todo o bem, para cumprirdes a sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele” (Hb 13.21).

Por conseguinte, busquemos a maior fé possível, com todos os meios que a graça de Deus nos tem dado. Sejamos como Paulo e esforcemo-nos “o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente” em nós (Cl 1.29). E, quando trabalharmos arduamente, não pensemos de nós mesmos mais do que é necessário, mas, como Paulo, digamos: “Não ousarei discorrer sobre coisa alguma, senão sobre aquelas que Cristo fez por meu intermédio... pelo poder do Espírito Santo” (Rm 15.18-19). Existe um lugar para a determinação na vida cristã (“trabalhei muito mais”), porém, ela é precedida e capacitada pelo dom (“a graça de Deus comigo”). Portanto, toda determinação é vivificada pela fé na graça futura.


Extraído do livro: Uma Vida Voltada para Deus, de John Piper.

Copyright: © Editora FIEL

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

COMO DISCIPULAR UM TRANSEXUAL (PARTE 2)


O problema é que nem sempre acreditamos que o evangelho seja relevante para os cristãos. Sempre pensamos no evangelho no contexto do evangelismo. Pensamos no evangelho como o ABC do cristianismo, o ponto de partida, aquilo que os não-crentes precisam ouvir, a porta pela qual você entra no cristianismo. Uma vez que você está dentro, você deve ir além do evangelho, deve ir para as horas silenciosas, livros religiosos, CDs de adoração.

Ryan tinha certeza de que, na nossa concepção, estávamos “dentro” e ele estava “fora”. Ele sabia que, aos olhos do cristão comum, ele era um cara realmente mau, um transexual acima de qualquer coisa! Então Ryan constantemente orientava a conversa para seu estilo de vida, a única coisa que parecia mantê-lo “fora” aos olhos da maioria dos cristãos. Ele foi à igreja gay da cidade, mas lhe disseram que seu estilo de vida não importava. Aparentemente, ele estava tentando que dissesse algo semelhante: “Tudo bem ser transexual, você pode seguir a Jesus assim mesmo.” Mas, mais profundamente, eu sentia uma questão muito mais poderosa em jogo: “Eu sou quebrado, mais pecaminoso, mais desesperançado do que você?”.

Então, eu mudei o rumo da conversa. Mudei o foco do estilo de vida dele para nosso pecado comum e para a rebelião de toda a humanidade contra Deus. Eu lhe disse que o real problema não era sua confusão sexual, mas o seu pecado. Ele queria ouvir que ele era pior do que o seu vizinho. Eu lhe disse que ele não era. Então, eu peguei minha bíblia e o levei a ler em voz alta alguns dos mais famosos versos sobre pecado. Focalizei no fato de que todos pecaram, todos se voltaram contra Deus, que todos precisam ser reconciliados com o criador. Nossos pecados externos podem ser diferentes uns dos outros, mas nossos corações são sempre maus igualmente. Então, fui um passo à frente: Falei do meu próprio pecado.

“Ryan, quer saber sobre mim? Sou um louco por controle. Eu sempre quero ter tudo sob meu controle. Gosto de me colocar no lugar de Deus e tentar controlar os resultados. Sou grosso e áspero com minha esposa e filhos. Sou julgador quando as pessoas não vivem de acordo com minhas regras e padrões. Eu não consigo amar as pessoas como Jesus as ama. Eu amo as pessoas nos meus próprios termos, do jeito que eu acho que elas merecem ser amadas, baseado nos meus critérios. Eu trato mal e fico com ressentimentos quando as pessoas não enxergam as coisas da mesma forma que eu. Eu me curvo e acabo me vendendo ao ídolo Controle. Ryan, eu sou um pecador, e Jesus é minha única esperança.”

De repente, Ryan começou a ficar mais tranquilo. A conversa mudou completamente. Ele caiu de joelhos e, em lágrimas, confiou em Jesus ali mesmo, no meio da cafeteria. (Na verdade, ele não fez isso não. Mas esse era o final que você estava esperando, não é? Pare imediatamente!) A conversa realmente mudou completamente, porque Ryan entendeu que seu estilo de vida era uma questão secundária. Ali eu estava, um pastor heterosexual, casado, dizendo a ele que meu coração era tão sujo, pecaminoso e quebrado como o dele. A única diferença era que eu confiava em Jesus para me reconciliar com Deus e transformar meu coração, e ele não confiava.

Somos muito bons em dizer aos não-cristãos que eles precisam de Jesus. Nenhum cristão realmente sábio viraria para o Ryan e diria, “Mude o seu estilo de vida primeiro, depois nós poderemos trabalhar com seu coração.” Nós sabemos que uma mudança interior mais profunda deve vir primeiro; faça com que a árvore seja boa, então seu fruto será bom (veja Mt 12:33). Então, porque não pensamos da mesma forma no discipulado?

O evangelho não é o ABC do cristianismo; ele é o A a Z do cristianismo. Quando nos esquecemos do evangelho, traímos nossos discípulos. Damos a impressão de que ser seguidor de Jesus significa ser menos quebrantado, menos pecador, menos desesperançado. Então, criamos um sistema de castas cristão: existem os realmente pecadores (não-crentes), os ainda pecadores (novos convertidos), e as pessoas que fingem que não são pecadoras (cristãos maduros).

Isso não só é obviamente não-bíblico, mas é também contrário ao senso comum. Jesus disse que aqueles que são muito perdoados irão amar muito (Lucas 7:47). Os cristãos maduros de verdade não são aqueles que pensam que são menos pecadores, mas aqueles que percebem a profundidade do seu pecado e estão se apegando mais firmemente em Jesus como sua única esperança.

Para testar essa verdade, simplesmente pergunte-se como a minha conversa com Ryan seria diferente se eu simplesmente tivesse dito, “É, você está realmente perdido, mas as boas notícias são que, se você confiar em Jesus, você poderá ser tão bom quanto eu sou.” Você pode ser esperto o suficiente (ou políticamente correto o suficiente) para não dizer isso a um transexual. Mas se o seu discipulado não for fundamentado no evangelho, é exatamente isso que você está dizendo aos seus liderados.

Por Bob Thune. © The Gospel Coalition. Website: thegospelcoalition.org

Tradução: Iprodigo.com

Fonte: http://voltemosaoevangelho.blogspot.com/

sábado, 27 de novembro de 2010

COMO DISCIPULAR UM TRANSEXUAL (PARTE 1)



Meu amigo Ryan é transexual. Antigamente, ele odiava Deus, mas agora tem sido um pouco mais receptivo à ideia de confiar em Jesus. Nesse artigo, quero compartilhar alguns pensamentos que tive sobre como discipulei Ryan. Assim, se você um dia discipular um transexual, você terá algumas idéias para começar.

O problema mais óbvio você provavelmente já imaginou, Ryan ainda não é um cristão. Como eu poderia estar “discipulando” então? Bem, evangelismo e discipulado são fundamentalmente a mesma coisa: levar pessoas a verem Jesus com seu tesouro supremamente satisfatório. Então não se preocupe, pensando que esse artigo não se aplica a você. Ele se aplica. Mesmo que você esteja discipulando cristãos ao invés de transexuais não crentes.

A razão pela qual conheci Ryan é porque não faço muitas perguntas. Se eu fosse um pouco mais cuidadoso de início, eu poderia ter evitado toda essa situação e me mantido na minha bolha evangélica conservadora. Em nosso ministério de universitários havia uma garota chamada Amy. Ela era a pessoa mais apaixonada por Jesus, extrovertida e alegre que eu já conheci. E você não podia dizer não para ela, porque ela sempre respondia com coisas como “Jesus me falou para conversar com essa pessoa!”. Coisas como essas te fazem pensar se Jesus não devia ter ido com ela no carro naquele dia. Amy me procurou um dia, antes de nossa reunião de oração às quartas, e me perguntou se eu poderia me encontrar com um amigo da escola dela, um homossexual que ainda não era crente em Jesus, mas vinha fazendo algumas perguntas sobre fé. Ela estava tão entusiasmada, tão alegre em Jesus, tão convincente com seu tom de “você é um pastor e esse é o seu trabalho” que eu não puder dizer não.
Após eu concordar, ela me contou o resto da história: Ryan era um dos excluídos na faculdade, porque ele se vestia como mulher, uma vez por semana. Ele havia marcado uma cirurgia de mudança de sexo para a primavera que vem. Ele era “casado” com uma jovem lésbica, por pura formalidade, para que pudessem manter seu estilo de vida homossexual discretamente. Seus pais haviam expulsado Ryan de casa, e ele não pisava em uma igreja desde a infância. Eu fiz o que pude para honrar a confiança de Amy e afirmei que adoraria me encontrar com Ryan. Então fui pra casa e me desesperei um pouco.
Na manhã seguinte, me ajoelhei e comecei a orar em meio a minha incapacidade. Nunca havia tido muito sucesso em alcançar homossexuais. Minha forte personalidade eventualmente é dura e intimidante – até para alguns cristãos. Assim, para aqueles que foram machucados pela igreja, eu deveria parecer com Genghis Khan. Minhas orações naquela manhã foram brutalmente honestas e não muito criativas. Eram algo como “Querido Jesus” seguido de algumas exclamações e alguns grunhidos.
Naquela noite, me encontrei com Amy e Ryan em um café. E naqueles primeiros minutos, Deus realizou uma obra profunda em minha vida. Eu acho que eu estava esperando encontrar com o Dennis Rodman usando um vestido de casamento ou algo do tipo. O que eu encontrei foi um ser humano chamado Ryan, criado à imagem de Deus, com as mesmas feridas, cicatrizes e questionamentos que eu e você e todo mundo tem. Não me entenda mal: havia muito desconforto, nos dois lados da mesa. Era muito pior que um daqueles primeiros encontros. Ryan estava incomodado. Era claro pra mim que ele estava me testando, pra saber se podia confiar em mim. E eu também estava incomodado, com medo que ele poderia descobrir a qualquer momento que eu era Genghis Khan, se levantasse e começasse a gritar obscenidades para mim e fazer uma grande cena. Parte do meu medo era egoísta, mas uma parte desse medo era sincera, a respeito do reino de Deus. Eu estava sentado à mesa com alguém que havia sido profundamente machucado por cristãos. Ele havia finalmente encontrado uma garota-de-Jesus alegre, em quem ele podia confiar. E agora ele arriscava uma interação com um pastor de verdade. Eu senti que muito estava em risco naquele encontro.

Meu objetivo ao contar a história de Ryan é convencer você que o discipulado deve estar centrado no evangelho. Para ver uma transformação real na vida de alguém, você deve levá-lo a se deleitar em Jesus mais do que no dinheiro, no amor, na ambição ou no egoísmo. A única forma de fazer isso é relembrar constantemente de sua pecaminosidade e de suas falhas – as “más notícias” do evangelho – para que ele desista de seus próprios esforços. Apenas assim você pode encorajá-lo a regozijar-se na poderosa graça de Deus através da cruz – as “boas notícias” do evangelho – para que ele sinta e acredite profundamente no amor radical de Deus por ele. Jack Miller, um missionário e professor de seminário, costumava resumir o evangelho nessas duas frases: “Alegre-se: você é pior do que imagina. Mas alegre-se: a graça de Deus é muito maior do que você jamais sonhou”. O mesmo evangelho que salva pecadores, santifica os crentes. O evangelho não te torna simplesmente justo perante Deus; ele te liberta para se alegar em Deus.

Por Bob Thune. © The Gospel Coalition. Website: thegospelcoalition.org

Tradução: Iprodigo.com

Fonte: http://voltemosaoevangelho.blogspot.com/